quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Cafeína

Durante os primeiros semestres da faculdade, minhas aulas eram pela manhã. Na época, eu fazia parte de um grupo de teatro e sempre ficava até tarde na sede da companhia ensaiando ou simplesmente jogando conversa fora até altas horas. É claro que já deu para perceber que durante a manhã eu me encontrava em uma situação calamitosa. Assistia às aulas com o cabelo em pé, cara inchada e remela. Para piorar, calçava chinelos e vestia uma camiseta furada do MST. Talvez esse tenha sido o motivo do meu total insucesso na cópula casual e descompromissada com as coleguinhas de turma.

Um dia tive uma brilhante idéia: levar uma garrafa de café para aula, para tentar ficar acordado um pouco mais dos 10% que costumava ficar. Consegui uma garrafa térmica pequena e todo o dia de aula enchia com café e ficava bebendo na sala. Bebia meio litro de café até o intervalo. Obviamente esta tática tinha seus efeitos colaterais.

Nunca cheirei cocaína, mas já li sobre seus sintomas e posso garantir, são muito semelhantes ao que sentia com meio litro de café na cabeça. Olhos arregalados e dentes trincados. Ficava acordado, mas não consegui me concentrar nas disciplinas.

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