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terça-feira, 16 de abril de 2013

Guia Gastronômico das Favelas do Rio



Adoro os guias da baixa gastronomia. O Rio Botequim, no qual conseguir colocar o Kareka's, e o Guia Carioca da Gastronomia de Rua, no qual trabalhei como pesquisador na segunda edição, são os meus preferidos. Agora temos mais um, o Guia Gastronômico das Favelas do Rio, que assim como seu similar de rua, foi produzido por Sérgio Bloch com textos da Inês Garçoni e fotos de Marcos Pinto.

Material de luxo, capa dura, todo colorido. As imagens que ilustram a publicação são excelentes, conseguem transmitir descontração até mesmo nas fotos posadas. Textos idem, Inês é uma autora de primeira. 

Além disso, é claro, os personagens do livro com seus quitutes deliciosos oferecidos em favelas pacificadas. Tem de tudo um pouco: sushi na Rocinha, sanduíches no Alemão, frango no bafo nos Prazeres, batidas na Providência entre outras delícias. Já comecei minhas visitas pelo roteiro, ontem peguei o teleférico para experimentar o Big Favella do Jorge. Vou relatando minhas aventuras por aqui.

Depois de um almoço sensacional na Laje da Jura, que deve constar na próxima edição do guia, fui ao lançamento na Cultura. Chegamos já no final, não pudemos degustar os pratos dos chefes presentes na publicação, mas aproveitamos para comer as tortas de doces e cafés da livraria.

Então fica a dica. Compre seu exemplar e saia por aí conhecendo um pouco mais dos sabores e paisagens do Rio.

Marcos Pinto, Inês Garçoni e Sérgio Bloch

sábado, 22 de dezembro de 2012

Benjamin Abrahão e Livraria Cultura

A primeira vez que ouvi falar de Benjamin Abrahão foi no filme Baile Perfumado, que conta um pouco da história real deste libanês responsável pelos únicos registros fotográficos de Lampião enquanto vivia no sertão. O filme é excelente, gostei tanto que um dos poucos CDs que tenho na minha estante é a trilha sonora dele. Assista abaixo o trailer (filme completo aqui).


Na mesma época fui a um debate com os realizadores do longa no Centro Cultural Banco do Brasil, no Encontro com o Cinema Brasileiro, evento que acontecia uma vez por mês com sessão de cinema seguido de um bate-papo com os responsáveis pela produção. Era muito bom, pena que acabou.

Algumas pessoas são surpreendentes, por isso prefiro ler biografias do que romances. Certas histórias só funcionam na realidade, se alguém as tivesse escrita em ficção todos diriam que seria impossível tais acontecimentos na "vida real". Benjamin se encaixa neste perfil, por isso fui correndo para a nova loja da Livraria Cultura comprar Entre Anjos e Cangaceiros, que conta a história deste libanês "chapa quente", amigo pessoal de Padre Cícero. Quem recomendou foi Lira Neto em seu Facebook, autor da excelente biografia do Padim.

Ainda na primeira página do livro, parei para ler o perfil do autor, Frederico Pernambucano de Mello. Fica claro, pelo estilo do texto, que ele é historiador. É uma leitura enfadonha e com enormes notas bibliográficas em letras minúsculas, muitas vezes com fatos interessantes que podiam ser incorporados à narrativa principal. As melhores biografias e livros de história hoje são escritos por jornalistas, que sem perder a acuidade da pesquisa conseguem criar um texto fluido, entrando para lista dos mais vendidos. Alguns exemplos são o já citado Lira Neto, além de Laurentino Gomes e Ruy Castro.

Livraria Cultura

Livraria Cultura na Rua Senador Dantas
A amplamente aguardada segunda loja da rede foi finalmente aberta na Rua Senador Dantas, no lugar onde antes funcionava o Cine Vitória. É mais que uma loja, é um centro cultural com teatro, espaço para exposições, café e restaurante, enorme, certamente uma das maiores do Rio. Ainda é pequena com relação as de São Paulo, mas tornou esta capital um lugar mais interessante. 

Para comer, o tradicional Café Viena, com destaque para a salada de salmão defumado (R$21,90) e o submarino, café com barra de chocolate meio amargo, leite vaporizado e calda de chocolate (R$6,90).

sábado, 20 de outubro de 2012

Fim de Semana do Livro no Porto


Hoje tive uma das tardes mais agradáveis do ano, no Morro da Conceição. Se fosse obrigado a sair da Ilha do Governador e morar em outro lugar, este pedacinho do Rio estaria no topo das minhas preferências. Já falei aqui sobre ele. Pouca gente conhece este morro localizado no centro da cidade que tem forte ligação com a origem do Rio.

Aos pés do Observatório do Valongo e sobre o Jardim Suspenso, diversas barracas de livros e gastronomia, além de uma tenda musical e vários ateliês de artistas locais que abriram as portas para os visitantes.

Casa de Cultura do Porto (CCP)
Na Casa de Cultura do Porto acontecem as mesas de bate-papo, e hoje participei de uma com Paulo Thiago de Mello e Carlos Lessa sobre botequins. Logo depois foi a vez do Sérgio Cabral, pai do governador, que deu uma aula sobre samba e história da MPB.

Depois do evento, a CCP vai fechar para obras e em breve teremos mais um espaço interessante na cidade. Vou acompanhar de perto.

Amanhã ainda tem, então se você quiser fazer um excelente programa cultural, fica a dica.


Carlos Lessa (esquerda) e Paulo Thiago (centro)

Música

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Bukowski, João do Rio e Steven Johnson

Bukowski

Até pouco tempo eu tinha uma opinião bem babaca que estou deixando de lado. Não lia romances. Achava perda de tempo, a vida real tem histórias muito mais loucas e interessantes que muita ficção, por isso sempre preferi biografias, livros de história, técnicos e jornalismo literário.

Mudei de opinião depois que comecei a ler Mulheres, de Bukowski. Apesar de afirmar que seus personagens não foram baseados em pessoas reais, o protagonista é o alterego do autor: alcóolotra, mulherengo, viciado em corridas de cavalo. Gostei, vou ler outros romances do maldito Velho Tarado.

João do Rio

Sempre ouvi falar do João do Rio mas nunca me interessei em ler algo dele, apesar da minha paixão pela história da cidade. João não é estudado pelos cursos de letras nem motivo para exposições, livros ou peças de teatro do mainstream, talvez por isso meu desinteresse.

Agradeço minha digníssima sogra que me presenteou com um livro que reune algumas de suas crônicas. João descreve a vida nas ruas no início do século XX, seus artistas, personagens, lugares, profissões, algo que tento fazer aqui no Ilhados.

Coincidentemente, uma das crônicas fala do hábito de flainar, assim como esta postagem que escrevi dias antes de ganhar o livro. Mas claro que meu parco talento não chega aos pés do João do Rio. Abaixo um trecho magnífico no qual descreve a flanagem:


Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar.


(…) Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem.


Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça, admirar o menino da gaitinha ali à esquina, seguir com os garotos o lutador do Cassino vestido de turco, gozar nas praças os ajuntamentos defronte das lanternas mágicas, conversar com os cantores de modinha das alfurjas da Saúde, depois de ter ouvido dilettanti de casaca aplaudirem o maior tenor do Lírico numa ópera velha e má; é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casas, após ter acompanhado um pintor afamado até a sua grande tela paga pelo Estado; é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir até um sítio lôbrego, para deixar de lá ir, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja.


É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas. Do alto de uma janela como Paul Adam, admira o caleidoscópio da vida no epítome delirante que é a rua; à porta do café, como Poe no Homem da Multidões, dedica-se ao exercício de adivinhar as profissões, as preocupações e até os crimes dos transeuntes.


É uma espécie de secreta à maneira de Sherlock Holmes, sem os inconvenientes dos secretas nacionais. Haveis de encontrá-lo numa bela noite numa noite muito feia. Não vos saberá dizer donde vem, que está a fazer, para onde vai. Pensareis decerto estar diante de um sujeito fatal? Coitado! O flâneur é o bonhomme possuidor de uma alma igualitária e risonha, falando aos notáveis e aos humildes com doçura, porque de ambos conhece a face misteriosa e cada vez mais se convence da inutilidade da cólera e da necessidade do perdão.


O flâneur é ingênuo quase sempre. Pára diante dos rolos, é o eterno “convidado do sereno” de todos os bailes, quer saber a história dos boleiros, admira-se simplesmente, e conhecendo cada rua, cada beco, cada viela, sabendo-lhe um pedaço da história, como se sabe a história dos amigos (quase sempre mal), acaba com a vaga idéia de que todo o espetáculo da cidade foi feito especialmente para seu gozo próprio. (…)


E de tanto ver que os outros quase não podem entrever, o flâneur reflete. As observaçõs foram guardadas na placa sensível do cérebro; as frases, os ditos, as cenas vibram-lhe no cortical. Quando o flâneur deduz, ei-lo a concluir uma lei magnífica por ser para seu uso exclusivo, ei-lo a psicologar, ei-lo a pintar os pensamentos, a fisionomia, a alma das ruas. E é então que haveis de pasmar da futilidade do mundo e da inconcebível futilidade dos pedestres da poesia de observação…

Gênio!

Steven Johnson

Livro que também recomendo é De onde vêm as boas idéias, de Steven Johnson, um dos atuais gurus da internet nos Estados Unidos. Entre outros assuntos, ele fala sobre como criar ambientes propícios para criação de idéias, além de hábitos que podemos adotar para nossa criatividade fluir melhor. O vídeo abaixo reune 7 dicas contidas no livro.



Esta é uma pequena amostra do que tenho lido ultimamente. E você, quais livros tem carregado na bolsa?



Livros - Submarino.com.br

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lançamento Guia Carioca da Gastronomia de Rua

Oliveira, Sérgio Bloch, Nega Teresa e Coringa
Desde quando criei este blog, há três anos, várias coisas legais já aconteceram:

- Vez por outra bate um trocadinho na minha conta por causa dos anúncios do Google e do Submarino;
- Já serviu como sujestão de pauta para muitas matérias d'O Globo Ilha, ajudando a divulgar trabalhos de diversos amigos;
- A House Pizza, depois que publiquei uma postagem com foto, aumentou consideravelmente as vendas, contratando, inclusive, um motoboy para ajudar nas entregas;
- O subprefeito já me ligou para conversarmos sobre o bairro, entre outras coisas.

Mas sem dúvida, o fato que mais me deixou contente foi o que narrarei abaixo.

Quinta-feira passada foi o lançamento do Guia Carioca da Gastronomia de Rua na Livraria da Travessa de Ipanema. Ótima festa, contou com a presença de diversos personagens do livro que ofereceram seus pratos ao público e distribuiram autógrafos. Lá conheci o idealizador do projeto Sérgio Bloch e o coordenador de pesquisa Fabrício Menicucci, que me convidaram para participar da segunda edição do Guia como pesquisador.

Trabalhar num projeto como este, de altíssimo nível e sobre um assunto pelo qual sou apaixonado, me deixou muito contente. Não vejo a hora de começar.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Avenida Presidente Vargas: um desfile pela história do Brasil

Meus livros sobre o Rio
Depois de comprar Histórias das Ruas do Rio, hoje adquiri outro livro que desvenda um pouco mais esta cidade. Lançado agora em janeiro, Avenida Presidente Vargas: um desfile pela história do Brasil conta como surgir esta importante via, com fotos atuais e antigas que mostram os prédios que foram estupidamente derrubados e os que ainda restam, além de fatos históricos importantes que por ali ocorreram, como os comícios da Central do Brasil e Diretas Já e a aclamação de D. Pedro I.

Um trabalho de altíssimo nível, capa dura, todo colorido e com muitas imagens. Idealizado por Eduardo Bueno (um dos primeiros jornalistas best sellers que escreveu sobre história do Brasil em uma linguagem não acadêmica, acessível ao grande público), é resultado de um trabalho de pesquisa minucioso, que patrocinado pela Embratel pode fazer com que seja comercializado por apenas R$30,00. Esta iniciativa deve servir de exemplo para que outras grandes empresas ofereçam publicações de alto padrão a baixos preços.

A mesma equipe também produziu o livro Avenida Rio Branco: um século em movimento para a Caixa, mas pelo que pesquisei, infelizmente, não foi comercializado.

Para saber mais sobre o livro, leia esta reportagem d'O Globo e ouça a entrevista com Paula Taitelbaum na CBN.

Também comprei recentemente Era Uma Vez o Morro do Castelo, edição de luxo e cheio de imagens, textos e reproduções de documentos da época em que o lugar onde surgiu o Rio de Janeiro ainda existia.

Três livros que recomendo para quem quer conhecer um pouco mais a cidade.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lançamento do Guia Carioca da Gastronomia de Rua


Lançamento do Guia Carioca da Gastronomia de Rua
Dia 10 de Fevereiro na Travessa de Ipanema
A partir das 19h

sábado, 29 de janeiro de 2011

Guia Carioca de Gastronomia da Rua


Cheguei a pensar que o projeto do Guia Carioca da Gastronomia da Rua tivesse sido abandonado. Previsto para ser lançado em dezembro, o blog estava desatualizado e ninguém nunca respondeu minhas mensagens perguntando sobre quando poderia comprar um exemplar. Depois de muito pesquisar, descobri que já estava sendo vendido na Travessa e comprei o meu no início do ano. Não demorou para a publicação voltar aos meios de comunicação e uma nova data de lançamento ser anunciada: fevereiro.

Como a minha baiana preferida está no documentário Na Boca do Povo, que vem em um DVD junto com o livro, deixei meu Guia com ela e só agora, depois de quase três semanas, peguei de volta e pude devorá-lo.

Idealizado por Sérgio Bloch, é um excelente trabalho, capa dura e com todas as páginas coloridas. Muitas fotos e um projeto gráfico de primeira, com as bordas das páginas manchadas de gordura. É mais que um guia, é uma ode à comida de rua e sua tradição, um projeto que valoriza o ambulante e a cultura brasileira.

No capítulo do angu da Lucinha é contada um pouco da história da Pedra do Sal e da escravidão no Brasil. Conheço pessoalmente a Lucinha e sua história de luta no Morro da Conceição. A religião africana e a origem do acarajé e seus ingredientes também são mencionadas nas páginas reservadas à Nega Teresa, que vende quitutes baianos na Rua Almirante Alexandrino.

Esses são apenas dois exemplos, todos os 19 pratos são recheados de informações históricas, da comida, do ambulante e do bairro, em um texto leve e muito agradável de Ines Garçoni. Já virei fã, tem uma proposta parecida com a do Ilhados (que possui o Guia Ilha Botequim) e espero que as próximas edições essas características sejam mantidas, que não ocorra o mesmo que aconteceu com o Rio Botequim, que virou apenas uma relação de endereços de bares, abandonando completamente a cultura e a importância destes estabelecimentos na vida da cidade.

Como já comentei nesta postagem (e em muitas outras), um pequeno grupo de pessoas sempre quis transformar o Rio numa capital tropical da Europa, por isso o combate contra o comércio de rua (vide o Choque de Ordem do Eduardo Paes). Apesar do Guia ter sido contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura do município, a prefeitura não mede esforços de seu braço repressor que é a Guarda Municipal, batendo em ambulantes e roubando suas mercadorias. Um dos melhores angus com costela que já comi saiu do seu ponto na Rua Uruguaiana e nunca mais pude degustar essa iguaria.

Para saber mais, visite o blog do Guia. Para comprá-lo, clique aqui. Abaixo, o trailer do documentário Na Boca do Povo:

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Em Busca de Mim Mesmo - Sérgio Viula

Eu não entendo como alguém termina o segundo grau e continua sendo católico. Nenhuma outra doutrina no mundo matou tanta gente quanto o catolicismo, e continua matando ao proibir o uso de camisinhas e ao protejer padres pedófilos que cometem diversas atrocidades dentro das igrejas. Minha digníssima sogra pensa da mesma forma e tentou anular seu batismo, ritual ao qual foi submetida quando criança. Desistiu depois de descobrir que é necessário contratar um advogado para entrar com um processo no Vaticano, o que é uma empreitada de alto custo.

Eu não preciso de deus para levar minha de forma honesta. Não preciso de bengala para fazer o bem, assim como meu amigo Sérgio Viula.

Sérgio foi meu professor de inglês e só tomei conhecimento da sua homessexualidade depois de sua entrevista para a Revista Época. Tem uma história de vida fantástica, um verdadeiro guerreiro que, apesar das bordoadas que levou, nunca deixou que o sorriso abadonasse seu rosto.

Acompanho seu blog desde aquela época (www.glsgls.blogspot.com - cuidado ao abrir) e li relatos dramáticos de sua vida: a briga com os pais por conta da sua sexualidade, a conversa com os filhos na qual esclarece sua posição, como conheceu o atual companheiro, a reconciliação com a família, entre muitas outras coisas.

Ele já foi pastor evangélico, com formação superior em teologia e duas pós graduações, galgou importantes posições dentro da hierarquia da igreja, escreveu para jornais e foi um dos fundadores do Moses (Movimento Pela Sexualidade Sadia), instituição que tinha como objetivo "curar" gays. Casou e teve que travar uma luta consigo contra seus desejos, se punindo diariamente até o dia que resolveu ser feliz de fato.

A história é longa, por isso ele resolveu colocar tudo num livro que escreveu secretamente e lançou sem aviso prévio. Talvez muita gente teria tido um ataque cardíaco ao saber que suas memórias estavam sendo postas no papel, mas seu objetivo não foi escandalizar ou colocar outras pessoas numa situação constrangedora. Não existem detalhes íntimos, nomes revelados ou qualquer outra coisa sensacionalista. Sérgio sempre foi muito discreto e se não fez revelações, não foi para proteger os protagonistas dos fatos, mas para se preservar e, principalmente, preservar seus filhos que provavelmente leram a obra. Seu objetivo, exposto no início de seu relato, é mostrar como "sair do armário" foi a decisão mais acertada da sua vida, constribuindo para que outras pessoas façam o mesmo, principalmente aquelas oprimidas por motivos religiosos.

Diante do seu histório dentro da Igreja Batista, boa parte do livro refuta os argumentos bíblicos que condenam a homossexualidade, e sua formação em teologia e filosofia legitimam e dão embasamento para tal. Sérgio explica de forma muito didática por que não acredita em deus e mostra diversas contradições da Bíblia e de seus defensores, conduzindo de forma eficiente o leitor em seu raciocínio.

Não é um texto emocianante, ele não vai te fazer chorar, mas vai, certamente, te fazer refletir sobre algumas idéias que grande parte das pessoas possuem como verdade absoluta. Os clichês presentes na obra (o título, a letra de Metamorfose Ambulante na quarta capa e linguagem) podem deixar leitores mais experientes um pouco entediados, mas funcionam ao tornar o texto acessível a um público mais amplo.

O livro é vendido por R$25,00 R$29,00 (frete incluso) e pode ser encomendado aqui.

Já que o assunto também é religião, segue abaixo vídeo engraçadíssimo do Padre Marcelo Rosse e seus "sábios" conselhos:

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Guias gastronômicos

Saiu recentemente a edição 2011 do Guia Rio Botequim, o terceiro escrito por Guilherme Studart. Comprarei meu exemplar assim que estiver disponível para venda na Saraiva ou Submarino, já que tenho todas as oito edições anteriores, desde quando era escrito por Paulo Thiago de Mello.

Gosto muito desta publicação, sem dúvida foi minha principal inspiração para criar o Ilhados, que inicialmente se chamava Ensopado de Caranguejo.

Indo por esta mesma linha, está para sair o Guia Carioca de Gastronomia de Rua. Segundo divulgado para imprensa, deveria ter sido lançado em dezembro, mas até agora nada. Já mandei um e-mail perguntando e não me responderam. Como o nome indica, nele estarão listadas as melhores comidas vendidas nas ruas da cidade. Claro que minha amada baiana Ciça está presente.

Uma das iguarias que pode ser apreciada na Ilha é o sushi do Arnaldo, presente todo sábado na feira da Ribeira, conforme já publiquei aqui.

Enfim, aguardo ansiosamente. Enquanto isso, assistam abaixo o teaser do curta Na Boca do Povo, que será lançado junto com o Guia.



Atualização (5jan): as duas obras já estão disponíveis na Livraria da Travessa: Rio Botequim 2011 e Guia Carioca de Gastronomia de Rua. Comprei ambos.

sábado, 27 de março de 2010

Chega de romance

Parei de ler romances. Descobri que a vida real é muito mais impressionante do que qualquer história saída da cabeça de um escritor.


No início do ano li a biografia do Padre Cícero escrita por Lira Neto. Sensacional, completamente baseado em fatos históricos, jornais da época, documentos pessoais do padre e documentos do Vaticano. Mostra o Padre Cícero sem mitos. Altamente recomendado.


Depois li a biografia do Tim Maia do Sérgio Motta, um dos caras mais doidos que já pisaram nesse país. E também Conquistanto o Inimigo, livro que deu bases ao filme Invictus, que narra a transição do Apartheid para um regime democrático na África do Sul.

Também tem o excelente A Páscoa de Sangue, escrito no final da década de 60 por Danillo Nunes, que mostra a Paixão de Cristo numa perspectiva histórica.

O próximo será Candudos: O Povo da Terra.

Recomendo qualquer um deles.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Rio Botequim 2010

Já tinha comentado aqui sobre os bares insulanos presentes no Rio Botequim 2010. Agora que terminei de ler todo o livro, segue resenha completa.

O Guia está com um acabamento de primeira. Capa dura, papel couchê, todas as páginas coloridas, possui uma versão bilíngue, bem moderninho, uma mistura de revista de arte com site da internet. As fotos, que antes mostravam a faixada do estabelecimento, o garçom mais famoso da casa ou o dono segurando uma tulipa de chope, agora são mais "conceituais", exibindo apenas pequenos detalhes da arquitetura do prédio, uma parte do prato principal, o ambiente meio desfocado, imagens sobrepostas e filtradas, coisa bem contemporânea. Ícones ajudam a identificar a categoria do estabelecimento, que podem ser: adega, armazém e mercearia, restaurante popular, restaurante informal, tradicional, bar, pé-sujo e pé-limpo.

No lugar dos já tradicionais 50 botecos cariocas, agora resenha mais de 200, incluindo municípios da Baixada e interior. Como não ganhou muitas páginas adicionais e aumentou a quantidade de firulas, o texto descritivo foi drasticamente reduzido. Se, em edições anteriores, cada estabelecimento ganhava uma página inteira de texto, nesta mais recente alguns ganharam apenas três linhas. Eu, que também resenho botequins, tinha no texto do Guilherme Studart uma inspiração para tentar escrever cada vez melhor. Uma pena, perdi uma importante referência.

A edição 2010 está mais atemporal, sem os preços dos pratos, que mudam constantemente deixando o guia desatualizado em pouco tempo. Também está mais formal, dando ênfase aos pratos e falando pouco do dono do estabelecimento, da cozinheira, histórias do lugar.

Essas mudanças me deixaram entediado quando cheguei no meio do livro. Ficou com cara de guia mesmo, quase uma Página Amarela, e, tirando o Rain Man, ninguém pega uma Página Amarela e senta para ler do início ao fim. Ele é utilizado para consultas, e foi nessa direção que o Rio Botequim 2010 caminhou.

Claro que todas essas alterações foram feitas para justificar uma nova edição, que precisa trazer alguma novidade em relação à anterior. Mudar a fórmula do guia foi a opção escolhida pela produção, mas, na minha opinião, não foi a melhor solução. Minha sugestão seria utilizar botequins inéditos, que já não tenham sido resenhados nos anos anteriores. Material para isso é o que não falta.

Assim como bares tradicionais estão dando lugares a bares moderninhos, com arquitetos famosos contratados para reproduzir o ambiente dos antigos botecos, o Rio Botequim 2010 também se modernizou, tal qual os estabelcimentos que tão bem retrata. Sinal dos novos tempos.

Deixo aqui um recado para o Guilherme: você precisa experimentar o pastel de carne assada do Kareka's e a costela no bafo do Canto do Periquito, que é um trailler na beira da praia da Ribeira, bem ao lado do Pontapé Beach. Quando for lá, favor, me avisa.

Compre o Rio Botequim 2010 aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Confesso Que Bebi

Amigos,

Esse blog deu uma desvirtuada, fugindo de seu objetivo original que era resenhar butecos da Ilha do Governador. Mas prometo que vou voltar ao prumo, principalmente por conta do livro que minha digníssima sogra me emprestou.

O Jaguar é um cartunista da velha guarda, junto com Ziraldo, Millôr, Nani, Lan entre outros. O pai do Léo e do Carcará, que também rodava com esse pessoal, já teve várias de suas publicações desenhadas por ele, na época em que era escritor da Editora Abril.

A ciência ainda não avançou o suficiente para descobrir como o Jaguar continua vivo, fazendo a alegria de donos de bares pelo Rio de Janeiro. Sem dúvida é o maior especialista no assunto, e muito do que escrevo tem influência dele. Recentemente, junto com o Ziraldo, ganhou uma indenização de um milhão de reais por conta de perseguições sofridas durante a ditadura militar. Atualmente desenha para o Jornal O Dia.

Grande boêmio, um dos criadores do Pasquim, ganhou a medalha Pedro Ernesto oferecida pelo então vereador Chico Alencar, mas devolveu-a quando Roberto Jefferson também recebeu a honraria. Também registrou em cartório seu desejo de ser cremado e o destino de suas cinzas: ser espalhada por todos os bares onde ele bebeu. Vai faltar cinza.




O livro que minha digníssima sogra emprestou é o Confesso Que Bebi: Memórias de um Amnésio Alcóolico. É um guia onde ele descreve diversos bares por onde ele já passou. O cara é mestre, tanto na arte da escrita quanto na arte de degustação, fazendo análises detalhadíssimas sobre os botequins, seus pratos, decoração, frequentadores, além de diversas histórias hilárias que aconteceram com ele.

Me deu inspiração para voltar com a proposta inicial do Ilhados.

Leia aqui uma resenha do livro, muito melhor do que esta que você acabou de ler, escrita por um paulista.

Atualizações:

1. O paulista é jornalista da Superinteressante;

2. O livro não me foi emprestado, foi um presente. Pertencia a um grande boêmio de Aracaju, "bebum, contabilista, politiqueiro, grande contador de casos, engraçadíssimo (...) e companheiro de grandes cachaçais. Petista de primeira hora, (...) e se não tem um blog, produz uma espécie que envia para uma lista imensa, diariamente. Comentário político e crônica dos costumes de rua".

Foi uma honra ganhar esse presente. Um dia passá-lo-ei para as mãos de meu rebento.

3. Minha digníssima sogra também é uma mulher de verdade.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Rio Botequim 1999



Final de ano tranqüilo no trabalho dá para esticar o almoço e flainar pelas ruas do centro da cidade. Foi num desses passeios que hoje comprei o Rio Botequim 1999 em um sebo. O mundo era um pouco diferente e muitas coisas aconteceram neste não tão distante ano:

- Terminei o segundo grau;
- Os telefones só tinham sete dígitos;
- O preço médio do chope era de R$1,50;
- Nascia o hexabilionésimo habitante da terra;
- Um mega blecaute no Brasil iniciava a fase de racionamento de energia;
- A AMBEV foi criada;
- Entra no ar a Rede TV!;
- Morre Jerzy Grotowski;
- A aspirina completa 100 anos.


(parênteses: a versão de 2010 do Rio Botequim acabou de ser lançada, com quatro bares da Ilha, conforme já contentei nesta postagem)

A segunda edição do agora tradicional guia de botequins cariocas trouxe duas novidades: a eleição das melhores casas pelo público (10 mil pessoas votaram) e um artigo sobre a região portuária (Saúde, Gamboa e Santo Cristo), sua história e seus respectivos representantes da baixa gastronomia.

Ainda não esmiucei a edição de 1999, mas já percebi que condizia mais com a proposta de ser um guia de BOTEQUINS. Atualmente muitos restaurantes, alguns caros, constam nas páginas do roteiro.

Claro que nosso insulano O Rei do Bolinho de Bacalhau não poderia ficar de fora. Lá está a foto do seu Sebastião todo pimpão, com colheres em punho, preparando o mais famoso petisco das terras da além Linha Vermelha. Não posso deixar de citar um trecho da descrição do estabelecimento:

(...) vale a pena atravessar a cidade e vir almoçar no Rei, num sábado ou domingo. E aproveite para passear pelo bairro, que tem o charme de uma cidade do interior.

Acho que a Ilha do Governador nunca vai perder este estigma de cidade do interior. Que bom.

Ah, já ia esquecendo. Jerzy Grotowski foi um famoso diretor teatral polonês.

sábado, 17 de outubro de 2009

Roberto Carlos Em Detalhes

Qualquer pereba com conexão à internet hoje em dia sabe que é impossível proibir a livre circulação de informações. Quando um vídeo é publicado no Youtube, não há liminar da justiça que impeça que as pessoas assistam. Quase que instantaneamente o vídeo é replicado, baixado, repassado e visto por milhões de pessoas. Vide caso da Daniela Cicarelli.

Outro dia lembrei do caso em que Roberto Carlos proibiu a circulação de uma biografia não autorizada, o Roberto Carlos Em Detalhes. Muito difícil de engolir, um artista que sofreu com a repressão da ditadura (tá bom, ele não sofreu tanto assim. Um iê iê iê não incomodava tanto a ditadura) censura um livro. Completamente inadmissível alguém censurar um livro.

Enfim, essa postagem é para manifestar meu repúdio, ainda que tardio, a essa decisão do "rei", e falar o quanto essa decisão foi inútil, porque, no Google, qualquer um pode fazer o download gratuitamente do livro "Roberto Carlos Em Detalhes".

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Nathalia Wigg

Nathalia Wigg é uma jovem escritora da Ilha do Governador, autora do livro de auto-ajuda "A Essência Azul - O Sagrado Caminho das Estrelas".

Folheando uma revista, li uma entrevista em que ela conta um pouco sobre sua vida. Vou reproduzir um trecho em que ela fala sobre a inspiração para se tornar escritora:

Sempre tive uma certa percepção extra-sensorial. Aos 11 anos de idade uma vizinha me falou de uma exposição de quadros que estava acontecendo e que eu precisava comprar o quadro de um mago. Fui até a exposição, comprei o tal quadro e pendurei no meu quarto. No mês seguinte tive um sonho muito interessante, no qual recebi uma mensagem telepática através do olhar dele.

Pronto, a piada é essa.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Guia do Pão-Duro 2

Há uns três meses ouvi no Rock Bola uma entrevista com Gustavo Nagib, autor do Guia do Pão-Duro 2. A entrevista foi muito engraçada, o Gustavo fala muito bem e conseguiu me convencer a comprar o livro. Depois de almoçar, passei na Saraiva do Ouvidor e comprei um exemplar.

Ficou durante esse tempo todo na minha cabeceira e só agora li. O livro é bom, o texto é bem leve, fácil de ler e você não percebe o tempo passar. Não é para se escangalhar de rir, mas possui algumas sacadas ótimas.

Destaquei uma bacana:

Festa de criança

Não li nada a respeito, não me lembro de nenhuma roda de amigos abordar esse assunto, mas acho que todo dia uma nova casa de festas é aberta. Taí um negócio que deve dar um dinheiro... Os pais do aniversariante desembolsam uma grana e têm tudo lá: brinquedos, recreadores, música, comida. E com a grande vantagem de que depois da festa não é preciso arrumar nem limpar nada.

Como todo negócio, há umas pegadinhas para nós, mortais convidados. São pegadinhas que visam a, exatamente, fazer com que usemos menos. Quando você for a uma festa dessas, preste atenção na hora em que o animador chamar os "papais e mamães para brincar". É a hora em que eles colocam a armadilha para funcionar!

Eles, os donos da casa, querem que a gente consuma menos, claro. Não tenha dúvida. Ao ser chamado para a brincadeira, diga não. Não vá mesmo. Enquanto os adultos brincam feito bobos, são servidos os salgadinhos mais gostosos e caros. Você fica brincando de cabo-de-guerra enquanto eles passam com bolinho de bacalhau. Você fica brincando de estourar balões e eles desfilando entre os que ficaram nas mesas com camarão ao catupiry. Tome cuidado com mais essa estratégia. Até porque festas de criança é para criança brincar e adulto comer.

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Abraços, Izidoro Silva.