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terça-feira, 9 de março de 2010

A Paulistinha

Não costumo beber chope por dois principais motivos:

1- Sentar em bar para beber até ficar completamente bêbado saciado é uma coisa que faço com certa freqüência, no mínimo duas vezes por semana. Diante disso, pagar uma média de 4 a 5 reais por um chope não cabe no meu enxuto orçamento.

2- Está muito difícil achar um chope decente no Rio de Janeiro, na Ilha do Governador ainda mais. A Praia da Bica é uma tristeza, o único decente é o do Doc Sax. No Mexe México peça cerveja.

Dois dos motivos pela queda na qualidade desta bebida são a popularização das chopeiras elétricas e falta de critério dos bebensais.

Era muito comum as chopeiras de bronze torneadas feita pela Brahma, mas hoje só são encontradas em, no máximo, 5 bares na cidade, como o Bar Brasil e o Bar Luiz, ambos no centro. Fica aqui uma sugestão para o marketing da Brahma, produzir mais algumas unidades para bares escolhidos em concurso popular ou de alguma outra forma.

O bar A Paulistinha, perto do Campo de Santana, ainda possui uma dessas relíquias. Dá uma olhada na foto abaixo:

Chopeira de bronze vertical da Brahma com serpentina de 100 metros

Uma maravilha, dá pra ficar ali o dia inteiro só olhando esse chope cremoso saindo. Mas só a chopeira não faz milagre, é necessária habilidade do tirador, dosando a quantidade de gás certa para o líquido e o colarinho (um dia explico melhor sobre a arte do chope). Acima, o Quintino fazendo um excelente trabalho.


A Paulistinha é um botequim extremamente simples, um desconhecido que passe pela porta certamente não terá noção que ali fica guardada essa preciosidade.

Os petiscos também são ótimos, destaque para o bolinho de bacalhau e as cebolinhas e salsichinhas em conserva.


O bar foi fundado em 1938 em um antigo sobrado e seu nome é uma homenagem à esposa do primeiro dono.

Serviço

A Paulistinha
Avenida Gomes Freire, 27 (próximo à Praça Tiradentes e ao Campo de Santana)
Bolinho de bacalhau: R$3,00
Cebolinha e salsichinha em conserva: R$0,50 a unidade



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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cabaret Kalesa

Ao contrário do que o nome possa sugerir, o Cabaret Kalesa não é uma casa de tolerância como aquela que um dia resenhei. Pelo contrário, é uma boate "super moderninha", com uma "décor transada", muito freqüentada por pessoas ligadas à moda e publicitários, famosa na década de 90 e que reabriu em 2005. Está localizada no segundo andar de um antigo sobrado na Praça Mauá. Outro dia mesmo estavam gravando alguma coisa lá dentro, na porta havia vários caminhões com equipamentos e figurinos.

Mas não é da Louge que quero falar. Logo embaixo tem um buteco tradicional que serve uma comida honesta na hora do almoço. Típico pé-sujo: próximo à entrada uma estufa com salgados, azulejos encardidos, pé direito alto, um enorme balcão de mármore com mais de 10 metros de comprimento, 23 pequenos bancos de madeira fixos ao chão e um salão com mesas de plástico. Do outro lado do balcão, um grande espelho com suportes para garrafas devidamente preenchidos com diversos rótulos. É freqüentado basicamente por habitués, operários, trabalhadores de escritórios próximos e prostitutas, super família.

O cardápio é variado, passando pela feijoada, frango, peixe entre outros. Alguns dos meus pratos preferidos terminam com "ada", e por isso fiquei tentado em comer a rabada com agrião, mas diante do calor que estava fazendo encarei um comercial de churrasquinho com fritas por dez pratas.


De churrasquinho não tinha nada, era um bife feito na chapa com óleo, arroz, feijão e fritas. A carne estava coberta com alho frito, que deve ser uma das coisas mais difíceis de se preparar numa cozinha, já que é raro achar um lugar que não os sirva amargo. Os que comi no Kalesa tinham um leve amargor, a batata frita estava correta, arroz normal e ótimo feijão.

A porção era muito bem servida e quase consegui comer tudo, mas fiquei algumas horas fazendo uma pesada digestão. Por isso que ainda vou muito a restaurantes self service, se almoçasse todos os dias em butecos teria o dobro do peso e perderia a namorada. Durante o tempo que fiquei lá, várias pessoas pediram para fazer quentinhas com o que sobrava.




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Cabaret Kalesa
Rua Sacadura Cabral, 61 - Centro
Próximo a Praça Mauá.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Frango mutante da KFC

Durante minha adolescência eu achava que era comunista. Fazia parte da ala radical do PT, acampei com o MST, participava de reuniões e encontros de apoio às FARCs e ao EZLN, manifestações contra privatizações entre outras atividades. Odiava tudo que vinha dos Estados Unidos. Não bebia Coca-Cola e já até joguei pedra contra uma loja do McDonald's.

Atualmente tenho uma posição mais neutra. Adoro a cultura norte-americana, os filmes, os seriados, não vou morrer antes de conhecer a Broadway. A diversidade cultural, tecnologia entre outras coisas. O que eu continuo odiando é a política externa do país e a forma de atuação de suas empresas.

A metodologia do McDonald's, baixos salários e repressão contra a organização dos funcionários, foi uma das responsáveis pela queda salarial de trabalhadores do varejo em todo o mundo. Os baixos preços do Wal Mart são mantidos através da comercialização de produtos fabricados através de mão-de-obra semi escrava em países pobres, salários de fome, nenhuma assistência aos funcionários entre outras barbáries.

Quanto à política externa, todo mundo conhece: invade outros países por interesses meramente econômicos, ceifando vidas e destruindo culturas. O FMI roubando dinheiro do trabalho de cidadãos de nações inteiras e por aí vai.

Esses dois fatores são os grandes responsáveis pela pobreza no mundo. Tirando isso acho que ser um cidadão estadunidense deve ser muito bom. Nascer e ser criado em Manhattan deve ser muito bacana.

Mas as universidades de lá são grande focos de resistência, que reconhecem esse poder destrutivo e são extremamente combatentes.

Mas por conta desses aspectos negativos eu ainda tenho algumas resistências em consumir certos produtos dos Estados Unidos. Por isso não freqüento muito essas lanchonetes fast food. Quando almoço prefiro um restaurante self service ou um bom buteco. Mas esse posicionamento me impediu durante muito tempo de experimentar aqueles frangos fritos que vêem dentro de baldes, muito comum nos desenhos d'Os Simpsons e em filmes.

Praticamente todo dia tem uma manifestação em frente a uma loja do KFC em algum lugar do mundo, organizada, geralmente, por membro do PETA. Manifestantes ficam na porta com placas, distribuindo panfletos, alguns usam fantasias de frangos, tentando convencer as pessoas a não comerem lá.


O processo de criação dos frangos é muito cruel. Eles são escaldados vivos, além de viverem no sistema de confinamento, ou seja, passam toda sua miserável vida numa gaiola tão pequena que são impedidos de se movimentarem.

Outro dia resolvi, finalmente, experimentar. Fui numa loja do KFC na Avenida Presidente Vargas. Já que outro dia contei minha experiência com patê de foie gras, que é outro prato que utiliza métodos cruéis para ser feito, divido aqui também minha experiência com o frango mutante da KFC.

O bicho realmente é diferente, possui uma casquinha deliciosamente crocante, e sua carne é tenra e macia. Além disso, possui mais carne do que os frangos que estou acostumado a comer. Acho que mais uma ou duas visitas eu viciava.

O único problema era que o ar condicionado do restaurante estava desligado, e vocês bem sabem como está o Rio de Janeiro. Fui jogar uma água no rosto para tirar o suor e não tinha papel no banheiro, era uma daquelas máquinas que soltam um ventinho. Como não dá para secar o rosto nela (nem as mãos), saí de lá molhado. Queria saber quem foi o corno que inventou tal imbecilidade.

Enfim, matei minha curiosidade e nunca mais volto lá. A não ser que um dia me contratem.

Alguns executivos da rede pediram demissão enojados com esse tipo de política de tratamento dos animais. Visite o site Kentucky Fried Cruelty, sobre as crueldades feitas com os animais pela KFC e veja este vídeo, que mostra funcionários jogando os bichos vivos contra uma parede, chutando-os e pisando-os.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pastelaria Chic's



Depois de ler o post da Bruna falando sobre um podrão que ela achou em Portugal, fiquei levemente tentado a almoçar uma porcaria no dia seguinte. Peguei meu chapéu de safári, minha espingarda e fui desvendar a Saara carioca em busca de um lugar bacana e que rendesse um post aqui.

Todo mundo sabe que a China pretende dominar o mundo. Não através de seus produtos vagabundos e baratos, feitos por criancinhas de olhos puxados em fábricas do tamanho de cidades. Seu plano nefasto para subjugar as demais nações é através das pastelarias, que vão se espalhando pelo mundo num ritmo lento, mas que em breve tomará todo o planeta de assalto.

A fórmula de sucesso das pastelarias chinesas é sempre a mesma: massa fina, crocante e com bastante recheio. Não que achemos isso com facilidade, mas é assim que definimos um bom pastel. Mas não na Pastelaria Chic’s.

Tenho fascinação por lojas e demais estabelecimentos comerciais que são passados de geração para geração sem mudar muito sua forma de funcionamento. A Pastelaria Chic’s é assim: foi fundada em 1970 e até hoje mantém o mesmo óleo na fritura dos pastéis. Se você não sabe, pastel é uma comida em forma de saco, engordurado e recheado com restos de qualquer coisa (fonte). Na Chic’s eles são moles e o recheio é muito sem graça, além de serem servidos frios nos horários de pico. Mas o grande barato é o ambiente. Possui azulejos com laranjas pintadas, tem um painel pintado à mão com uma família feliz colhendo laranjas e os copos são decorados com.... laranjas. Agora adivinha qual é a única bebida que eles vendem? Laranjada, claro. Tipo a americana, mas servida em copos de papel.



O esquema é simples. No caixa você receberá fichas coloridas que indicam seu pedido: uma ficha de determinada cor para pastel (todos possuem o mesmo preço), outra para a laranjada pequena e mais uma para a grande.

Serviço:

Onde? Rua dos Andradas, 36 D. Pertinho do camelôdramo.
Pastel: R$1,40
Sabores: carne, queijo, camarão, frango, palmito e bacalhau.
Laranjada pequena: R$1,00.
Laranjada grande: R$1,40.

Veja o resto da definição de pastel que achei na Desciclopédia:

Quem faz:

Por mais estranho que possa parecer, a maior parte dos produtores de pastel são chineses, mesmo o pastel sendo algo totalmente desconhecido na China.

Por algum motivo, todo chinês que chega ao Brasil, ou monta uma lojinha de muamba importada do Paraguai, ou uma pastelaria.

Valor nutritivo:

O pastel tradicional é rico em gordura, colesterol, sebo, mais óleo gorduroso e restos de carne humana, logo, é um excelente agente causador de ânsia, vômito, úlcera, infarto e obesidade.

A massa também é de importante valor nutricional. Uma massa fina, composta de restos de pele e unha, enriquecidos com ovos de pato (!!!) e leite de bode (!!!!!)

Atualização (jan/2010): essa postagem foi escrita em novembro de 2008. Passei lá outro dia e tirei essas fotos. Aproveitei, claro, para comer um pastel de camarão e outro de bacalhau, que estavam muito melhores do que da última vez em que lá estive.

Preços atualizados: Pastél R$1,50, laranjada pequena R$1,00 e grande R$1,50.



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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Lanchonete Royal

Janeiro. O termômetro em frete ao prédio onde trabalho marca 43 graus, mas ainda assim acho que ele está generoso demais. Caminho até a porta da Lanchonete Royal e paro em frente a placa que anuncia o cardápio do dia:

Comercial (R$6,50)
Feijoadianha
Almôndegas com purê
Filé de frango à dorê com fritas
Carré com maionese
Vitelinha com espaguete

Sugestão (R$7,90)
Bife à milanesa com fritas
Virado à brasileira
Carne assada com agrião

A placa também anuncia um sopão por R$4,00. Esse nunca tive coragem de pedir.

A Lanchonete Royal é mais um desses butecos que sempre freqüento mas nunca escrevo sobre, sempre esperando uma outra oportunidade para tomar nota ou uma fotografia. Como esse estabelecimento não tem nada que o diferencie de tantos outros no Rio de Janeiro, resolvi escrever mesmo sem uma foto para ilustrar. Se o Jaguar escreveu um guia inteiro sem nenhuma, eu também posso.

No balcão, salgados, pedaços de frios prontos para corte, pilhas de misto quente esperando a hora para irem para a chapa e carnes diversas servidas no almoço. Um painel com uma ilustração de uma mesa repleta de frutas e um quadro que retrata uma torcida do América em um estádio. Azulejos encardidos e diversas pequenas placas nas paredes com o nome e preço de sanduíches, sucos e outras ofertas da casa.

Dois pequenos salões, um com entrada pela Rua Venezuela e outro pela Rua Sacadura Cabral, com mesas e cadeiras fixas no chão. Um aviso deixa claro: nossos refrescos são preparados com água filtrada (isso sim merecia uma foto). Diversos trabalhadores na hora do almoço. Esse é o ambiente da Lanchonete Royal, na Praça Mauá.

Entre as opções disponíveis o cliente também pode pedir um prato executivo, escolhendo a carne e a guarnição, que vêm em pratos separados.

Não me intimido com o calor e sou taxativo no meu pedido: feijoadinha com mais feijão do que arroz. Já comi esse prato várias vezes, tendo inclusive comentado aqui. O viradinho à paulista também figura entre meus pratos favoritos. Na verdade, só o nhoque que eu não recomendo.

Não consegui comer tudo, por mais fome que eu estava ainda estou muito longe do apetite dos operários que por lá param para comer. Alguns clientes, ao fazerem o pedido ao garçom, pedem para colocar pouca comida. Vou começar a pedir pouca também.

Fico imaginando a cara de nojo da minha digníssima ao me ver atracado com carnes com texturas bizarras e aparência horrenda. Essa é a feijoada.

Lanchonete Royal
Rua Venezuela, 3 - Centro - Praça Mauá

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Turismo sexual no carnaval


É carnaval e o Rio de Janeiro é mundialmente conhecido como destino para apreciadores do turismo sexual. Um ótimo lugar para procurar prostitutas e travestis prontos para um "programinha gostoso" são os orelhões do centro da cidade. Morro de rir, são divertidíssimos e estão dispostos a fazer de tudo. Cada travesti horroroso mostrando sem pudor seus "dotes" e corpos definidos.

Tirei algumas fotografias e caso você tenha parado aqui vindo pelo Google procurando telefone de travecos, é só anotar.

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sábado, 30 de janeiro de 2010

QG da Cachaça ou Boteco Sebastião


Depois que minha digníssima sogra se mudou para o Centro a Spaguettilândia tem sido um destino menos visitado. Atualmente freqüentamos muito o QG da Cachaça, também conhecido como Boteco Sebastião, na Evaristo da Veiga. A cerveja é mais barata, o atendimento também é bom mas os petiscos são fracos.

Boteco tradicional, carnes no balcão, um salão e mesas na calçada. Fomos lá outro dia e pudemos presenciar o nascimento de um painel pintado por um chicano:

Ao contrário do que minha digníssima achou num primeiro momento, as circunferências embaixo do carro não são cabeças, são paralelepípedos

Depois que tirei a foto acima ele achou que éramos amigos, ficou tentando puxar assunto e foi solenemente ignorado. A mesa estava grande, com muita gente, muitos assuntos para colocar em dia e não estávamos com paciência para dar corda para maluco.

O lugar é ótimo para beber e papear mas não tão bom para comer. O sanduíche de pernil estava seco e sem molho, além de grandes pedaços de gordura. A batata frita era batata mesmo, descascada e cortada lá mesmo, ao contrário dessas congeladas que são freqüentemente vendidas por aí. Mas apesar disso poderia vir um pouco menos engordurada. Também é preciso coragem para pedir um salgado da estufa, principalmente durante a noite, depois de um dia inteiro esperando alguém macho o suficiente para encarar.

Quanto aos outros pratos nenhum se destacou, mas espero um dia conhecer a especialidade da casa. Oportunidades não faltarão, né Cristina?

Os destaques são o jovem garçom Carlos, sempre sorridente e que não deixa faltar uma garrafa cheia na mesa e a fabulosa batida de gengibre da casa. Se você estiver gripado, com a garganta arranhando e nariz entupido, funciona quase como um remédio. O ardor é por causa do gengibre e não pela cachaça 51. Virei fã e toda vez que for lá vou beber algumas doses.

A localização é outro fator que colabora. Fica perto do Batalhão da PM (isso não significa, necessariamente, segurança, mas é menos visado do que outras regiões do Centro), pertinho da Cinelândia. Depois das 18h30 dá até para estacionar na frente do boteco.

PS: o banheiro é imundo.

QG da Cachaça / Boteco Sebastião
Rua Evaristo da Veiga, 45B - Centro
2240-0566

Atualização (jan/10): não pode elogiar. Pedi a batida outro dia e estava muito ruim. O gengibre não tinha curtido o suficiente e o gosto da 51 estava sobressaindo.

Atualização (fev/10): veja como está ficando o painel:


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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Quebra Nozes


Ontem tive uma grata surpresa ao passar pela Cinelândia com minha digníssima. Um mega palco montado para uma exibição de O Quebra Nozes, ballet que conta a história de Clara e sua viagem ao mundo dos doces, encenada pelo corpo de baile do Theatro Municipal.

Meus leitores conhecem minha opinião sobre o Theatro Municipal (alto custo e pouco retorno para a sociedade), mas essa ação, sem nenhum patrocínio corporativo (pelo menos não tinha nenhum banner aparente), foi um presente para quem passava por lá. Só apresentaram o segundo ato, já que o espetáculo inteiro é longo demais para ser apresentado na rua. A música era ao vivo, tocada pela orquestra do teatro, e Márcia Jacqueline no papel da Fada Açucarada

Sou leigo no assunto, mas minha digníssima é formada em dança e me explicou tudo o que acontecia. O espetáculo conta uma história inteira, cada dança tem um texto implícito que só entende quem estudou. Uma boa idéia seria colocar um daqueles painéis que traduzem óperas para explicar o que se passa no ballet. Se minha namorada não estivesse comigo contando a história, eu não teria sido impactado da mesma forma.

Infelizmente a orquestra ao ar livre não tem o mesmo impacto do que dentro do teatro, com aquela acústica que amplifica o som que vem por todos os lados. A sensação de ouvir uma orquestra numa sala de espetáculo é parecida com a de ouvir uma bateria de escola de samba dentro da quadra.

Essa cidade é louca. Por um lado é cada um por si, trânsito caótico, um salve-se quem puder, mas vez por outra você dobra a esquina e se depara com um palco na rua e uma encenação de O Quebra Nozes.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Bonde do Dia do Samba

Ontem, no dia mundial do samba, bebi umas na Pedra do Sal e depois fui para a Central. Que lugar bizarro é a Central do Brasil. Feio, sujo, fedorento e cheio de mendigos. Não entrei no trem porque voltar de Oswaldo Cruz de madrugada não deve ser nada agradável.

Ainda bem que poderemos desfrutar de um evento semelhante com gente bonita e numa parte bem mais agradável do Rio: o Flamengo. Com patrocínio da Oi, um bonde cenográfico partirá meio-dia da rua 2 de dezembro e fará o mesmo trajeto do primeiro bonde elétrico, parando na Rua do Lavradio, onde a festa continuará.

Parece que vai ser bem bacana.


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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Projeto Mauá

Já falei aqui sobro o Morro da Conceição e o quanto eu gosto deste canto pouco conhecido da cidade. Bairro residencial, no meio do Centro do Rio de Janeiro, promete, ainda mais com o início das obras de "revitalização" da região portuária. Assim como Santa Tereza, é um reduto de artistas.

Neste final de semana, 5 e 6 de dezembro, realizará diversos eventos culturais. Segue programação:

**************
No dia 5, sábado, quando anoitecer, serão exibidas contra a Fortaleza da Conceição fotos dos fotógrafos Custódio Coimbra, Henrique Pontual, Mabel Feres, Rogério Reis e Walter Firmo que ilustram o livro “Rua Larga”, organizado por Mozart Vitor Serra e Carlos A. Rabaça e publicado pela Documenta Histórica.

4 de dezembro de 2009 - Atualização: Cancelado

Não faz parte do Projeto Mauá mas também é no Morro da Conceição, Largo da Prainha. Sexta-feira, a partir das 18 horas, Bloco Escorrega Mas Não Cai.

O ensaio foi cancelado devido a forte chuva.

5 de dezembro de 2009

• 10h às 18h – Ateliês abertos
• 10h às 17h – Exposições “Ilustrações do Projeto Alegria de Ler” e “Coletiva Projeto Mauá”, na Fortaleza da Conceição
• 10h às 17h – Exposição de fotos “Maravilhas do Universo” e apresentação de filmes e vídeos, no Observatório do Valongo/UFRJ
• 14h – Oficina de argila para crianças no ateliê Gaia, shows na Praça Major Valô (praça da Santinha)
• 17h – InovaSom (rap)
• 18h – Afoxé Filhos de Gandhi, com participação especial do Abarajé - Baianas do Acarajé
• 19h – Banda da Conceição, com participação especial da escola de samba mirim Mel do Futuro
• 20h – Batuque na Cozinha
• 21h30 – Escravos da Mauá

6 de dezembro de 2009

• 10h às 18h – Ateliês abertos
• 10h às 17h – Exposições “Ilustrações do Projeto Alegria de Ler” e “Coletiva Projeto Mauá”, na Fortaleza da Conceição
• 10h às 17h – Exposição de fotos “Maravilhas do Universo” e apresentação de filmes e vídeos, no Observatório do Valongo/UFRJ

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Show Suburblues

Essa sexta tem show gratuito da Suburblues, uma das melhores bandas de blues do Brasil, com minha digníssima cunhada Stefania Blink.

Muito bacana esse projeto da Light: www.lightaocairdatarde.com.br


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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A pior e uma das melhores peças de teatro que já assisti

Depois de sentar em butecos para beber cerveja, ir ao teatro é o segundo programa que mais faço para me divertir. Fui ao teatro na última sexta, sábado e domingo e repetirei a dose essa semana. Vez por outra comento aqui alguma coisa que assisti.

O Centro Cultural Banco do Brasil está com a IV Mostra Estudantil de Teatro, com peças encenadas por escolas de teatro como a UniRio, Martins Pena, Tablado, Nós do Morro, CAL entre outras. É gratuita.

Sexta passada assisti o espetáculo Camisa de Força, da escola Rodrigo Cabus. Uma das piores coisas que já assisti na vida, muito ruim. A direção é de Di Velloso.

Já no sábado assisti um dos espetáculos mais bonitos que já vi: Um Lugar Chamado Recanto, no teatro Clara Nunes. Um musical maravilhoso, com atores idem. Só fiquei com pena da Nívea Stelmann, que é muito ruim, tadinha. Ainda mais no meio de um elenco daquele. Ela está trabalhando em alguma novela? Só isso justificaria sua participação na peça.



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sábado, 31 de outubro de 2009

É arte?

Sou freqüentador assíduo de museus, teatros, exposições, festivais e livrarias. Tenho que banda larga que me permite baixar os mais diversos filmes e seriados. Tenho uma vida cultural um pouco mais ativa que a grande maioria dos brasileiros. O que isso quer dizer? Nada, mas toda essa vivência ainda não foi suficiente para me dar uma visão clara do significado da arte.

Quem nunca entendeu um quadro que pareceu ter sido pintado por uma macaco e que muita gente dizia ser é arte? Isso acontece com certa freqüência.

Há pouco tempo o New York Times colocou um famoso violinista tocando seu stradivarius na porta de uma estação de metrô, cuja apresentação no dia anterior teve o ingresso mais barato custando cem dólares. Conseguiu apenas alguns trocados e poucos transeuntes pararam para assistir.

Certa vez um artista plástico levou uma socialyte ao seu ateliê. Uma das salas do estava em reforma e tinha uma extintor de incêndio no canto. Sabe qual foi a obra de arte que ela mais gostou? O extintor.

Lembro de muitos outros casos, mas os exemplos acima servem para ilustrar que a apreciação artística depende do contexto. Qualquer coisa dentro de um aparelho cultural socialmente aceito como tal vira arte.
Quando recebi da minha digníssima a notícia que a Hortifruti iria abrir uma exposição contando a história de suas peças publicitárias, nossa reação foi a mesma: vamos marcar para assistir. Já até fiz uma postagem aqui mostrando algumas peças.

A exposição está na estação Carioca do metrô. Só faltou mencionar a agência responsável: MP Publicidade.

É arte? Não sei. Mas não importa.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Virando o Jogo

Ontem fui assistir ao espetáculo Virando o Jogo, dos meus amigos Enildo Delatorre e Gilson de Barros. Desnecessário dizer que gostei muito, morri de rir.

Apesar de ser um assunto que já estamos cansados de ouvir, a importância dos exercícios físicos e uma alimentação equilibrada, o grupo, composto em sua maior parte por servidores do judiciário, não deixa a desejar diverte a todos.

Está em cartaz no Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do RJ, na Travessa do Paço, 23, 13º andar, entre o Palácio do Paço Imperial e o Tribunal de Justiça.

Toda terça às 19h30. Custa R$10,00.

Sinopse:

VIRANDO O JOGO conta a estória de Luiz Cláudio, um homem comum, que consegue passar num concurso público e casa-se com a mulher que ama. Seus problemas começam quando, estabilizado, feliz, ele relaxa com seu corpo e engorda demais. Fica completamente fora de forma, obeso. Várias doenças lhe afetam. Vai num médico, que aconselha, entre outras coisas, dieta e a prática de exercícios regulares. Ele resiste, mas, segue as orientações. Os resultados são surpreendentes. Feliz, ele participa da corrida rústica anual. Chega em 887º lugar, mas se sente um campeão. Virou o jogo de sua própria vida.

Tudo é contado sob forma de comédia para falar desse tema que é considerado epidemia mundial, o sedentarismo e a obesidade.

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domingo, 11 de outubro de 2009

I Festival do Acarajé da Baiana Ciça

É com grande satisfação que anuncio o I Festival de Acarajé da Baiana Ciça, dia 23 de outubro.

Mais informações no site: www.superamarelas.com/cica-acaraje

Leia a postagem do Ilhados sobre a Ciça e não deixe de assistir o vídeo abaixo.

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sábado, 3 de outubro de 2009

Spaguettilândia e pagode de rua

Um dos meus lugares favoritos para beber no centro da cidade é a Spaguettilândia. Fica numa daquelas ruas transversais a Álvaro Alvim, atrás da Cinelândia. É uma casa de massas que tem trocentos anos, com um ótimo buteco do lado de fora e mesas espalhadas pela rua. Não deixe de almoçar um espaguete quando estiver por aquelas bandas, o preço é honesto.

Descobri recentemente a importância que o lugar tem para o cinema brasileiro. Ler a história do cinema brazuca é ler sobre o Cinema Novo, Glauber Rocha e companhia. As pornochanchadas são apenas citadas rapidamente, como sendo obras populares e sem valor estético.

As pornochanchadas foram importantíssimas para o cinema nacional, eram esses filmes que levavam a massa às salas. Se alguém escrevesse a história do cinema brasileiro pela ótica do público, o Cinema Novo estaria renegado a poucos parágrafos, já que poucos pessoas curtiam os cinemanovistas.

O esquema de distribuição dos filmes naquela época (década de 70, início da 80) era muito diferente. A Cinelândia possui esse nome por conta do alto número de cinemas que eram abrigados ali (agora só existe um, o Palácio fechou recentemente), por isso os escritórios de muitos produtores (não raro eram também diretores) ficavam na rua Álvaro Alvim. Eles negociavam diretamente com os donos das salas a exibição. Muitas vezes o filme nem estava pronto, os dois conversavam, produtor e exibidor, e caso se chegassem a um termo comum, o produtor recebia uma promessa de pagamento.

Agora o esquema é outro. Os cinemas não são mais independentes, duas grandes redes possuem quase todos as salas do país.

Mas o fato é que a Spaguettilândia recebia todo esse povo em suas mesas, roteiritas com seus textos embaixo dos braços, diretores e técnicos que discutiam ali os próximos projetos. Muito do cinema brasileiro surgiu ali, muitas idéias foram concebidas e ganharam corpo entre cervejas servidas por garçons trabalham lá até hoje.

Depois de descobrir isso passei a gostar ainda mais de lá. Recomendo a todos que assistam o documentário O Galante Rei da Boca (facilmente baixável), que conta um pouco essa história.

Enfim, outro dia lá estava eu, na Spaguettilândia, degustando uma deliciosa cerveja gelada em um encontro em família que não lembro a última vez que aconteceu igual, quando apareceu um desses grupos de pagode que vão passando de bar em bar enxendo o saco das pessoas. Como já tinha pensado em documentar mais essa manifestação cultural, puxei minha máquina e gravei alguns segundos:



Reparem como o grupo percebe que estou filmando e fazem caras e bocas. Deve ser por isso que eles ficaram putos porque não dei nenhum dinheiro.

Na boa? Acho isso insuportável, música ruim que impede a continuidade de uma conversa agradável. Mas faz parte da cidade e acho que sentiria saudade caso algum dia eles deixem de passar.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Michael Jackson da Uruguaiana

Estudar é uma merda. Já dizia o agente Smith, do Matrix: a ignorância é uma dádiva (eu sei, essa frase tem sido usada há alguns séculos por diversos pensadores, mas resolvi citar Matrix para que meus leitores com baixa escolaridade pudessem entender).

Explico: quanto mais eu leio, quanto mais peças teatrais e filmes de arte assisto, quanto mais eu discuto com meus amigos letrados que acham Kill Bill um máximo (eu acho uma grande merda), mais exigente vou ficando. Mais difícil vai ficando para eu achar alguma manifestação artística que me agrade.

Isso faz com que eu me sinta no meio de um mar de mediocridade, onde novelas são assistidas diariamente por milhões de pessoas, músicas com letras simplórias são grandes sucessos e Paulo Coelho é best seller.

Devido a minha baixa dotação orçamentária, vivo angustiado em meio a plebe e a gentália, assistindo O Caminho das Índias na casa de amigos e ouvindo o funk do filho da vizinha.

Viver no Brasil é foda!

Mas tem um porém (sempre terá um porém). Vez por outra somos brindados com espetáculos que nos fazem refletir, filmes que nos fazem chorar e trupes de rua que nos fazem rir. São os poréns que me mantêm vivo.

Essa introdução foi apenas para mostrar mais um artista anônimo que se apresenta nas ruas do Rio:


Com todos seus problemas (violência, alto custo de vida, baixos salários, desemprego, serviços de merda entre outros) ainda podemos sair na rua e encontrar esse tipo de coisa.



Depois da apresentação e da passada do chapéu, ainda pude presenciar mais uma estranha interação entre seres humanos. Um rapaz com voz afeminada pediu para tirar uma foto como o Michael Jackson. Claro que eu fui escolhido para registrar esse momento. Enquanto eles se preparavam, o diálogo a seguir aconteceu:

(Rapaz com voz afeminada): - É muito difícil ser cover do Michael Jackson?
(Michael Jackson): - Cara, tem que ensaiar oito meses direto. Por quê? Você quer ser dançarino?

O rapaz abre uma sacola, mostrando algumas peças de um figurino de Michael Jackson.

(MJ): - Se você quiser eu posso te ensinar. Faço um precinho camarada.
(RCVA): - Beleza, beleza.
(MJ): - Dependendo de como você se sair, a gente pode até fazer shows juntos.
(RCVA, feliz): - Legal! Legal!

Os dois trocaram telefones. Pensei em anotar o do Michael Jackson para colocar aqui mas desisti.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Visitas ao Morro da Conceição

Visita guiada ao Morro da Conceição com Paulo Dallier. A pintura é medonha, mas o passeio deve ser legal.

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sábado, 11 de abril de 2009

Pintura com spray na rua

Se você anda pelo Centro do Rio, já deve ter visto a cena a seguir:



Um cidadão pinta quadros utilizando tinta em spray. Ele vende cada peça por dez reais. Reparem o estilo expressionista e surrealista (os especialistas da rua são ótimos).


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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Banca do Blues

Eu sou meio pertubado, às vezes acho que já comentei determinado assunto por aqui quando na verdade eu só pensei ter comentado. A Banca do Blues é um exemplo.

A Banca do Blues é uma banca (sério???) de jornal que fica ao lado do obelisco da Rio Branco, perto da Cinelândia. Durante maior parte do tempo ela vende G Magazines, Queridas, Caras, balas, cigarros e halls sem açúcar. Mas nas noites de sexta-feira ela se transforma. O casal que administra o local coloca som na rua para músicos do mais alto gabarito tocarem rock e blues. Não são moleques que vão tocar, todos são músicos experientes que tocam para caralho, e de graça.

Dá uma olhada na minha digníssima cunhada cantando com a Suburblues numa homenagem a Eric Clapton:



É isso, toda sexta-feira a partir das nove da noite. Rio Branco esquina com a Avenida Presidente Wilson.

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