sexta-feira, 18 de maio de 2012

CADEG - Cabrito do Poleiro do Galeto

Uma das coisas que sinto inveja de São Paulo é o fato de não possuirmos um Mercado Municipal. Mas o Rio de Janeiro já teve um espaço semelhante na Praça XV, construído em 1906. Com a estrutura toda em metal, possuia quatro torreões em suas extremidades, 16 ruas internas e 200 lojas. Foi derrubado em 1956 para a construção do Elevado da Perimetral. A única coisa que restou foi o torreão número quatro, no qual funciona, desde 1933, o Restaurante Albamar.

Foto atual do Restaurante Albamar

Mercado Municipal do Rio: 1961 (Foto: Agência O Globo)

Mercado Municipal do Rio: 1961 (Foto: Agência O Globo)
A notícia da derrubada do Mercado pegou os comerciantes de surpresa. Como solução, alguns se cotizaram e compraram a Fábriga de Cigarros Veado, em Benfica, onde criaram a Centro de Abastecimento do Distrito Federal, depois renomeado para Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara, nossa querida CADEG.

A CADEG completou 50 anos (link da notícia). Minha digníssima, atriz, fez parte do elenco do espetáculo que contou um pouco a história do mercado na festa de comemoração, que contou com a presença do alcaíde da cidade e dos fundadores que ainda estão vivos. Muitos deles, à época, sem dinheiro para o transporte, carregaram suas mercadorias puxadas em carrinhos da Praça XV até Benfica, e foram às lágrimas quando esta passagem foi contata na peça.

Conhecido pelas flores e pela gastronomia, o mercado também é reduto de comerciantes portugueses, que nos finais de semana levam à brasa sardinhas e bacalhau.

O Poleiro do Galeto é o restaurante mais conhecido do local, que, ao contrário do nome, não vende este tradicional galináceo há mais de 30 anos. A forte presença de taxistas não nega, ali é servida farta comida com preços camaradas.

Famoso no Poleiro é o bifão de contrafilé, mas nas sextas o cabrito é a pedida.

Cabrito assado do Poleiro do Galeto, CADEG

Por módicos R$30 três pessoas se alimentam bem. Por mais uma pequena quantia, uma farova de ovo de respeito é servida. Depois de comer, fizemos um minuto de silêncio em homenagem aos cabritos que tiveram suas vidas usurpadas em nome do nosso prazer. Béééééééé.

Mas se você prefere outro prato mais leve, não se preocupe, são vários os restaurantes que ocupam as ruas internas com mesas e cadeiras, recebendo uma multidão de pessoas na hora do almoço. Por isso, chegue cedo, por volta de meio dia.

Rua principal da CADEG
Recentemente um restaurante gourmet (e caro) foi aberto na CADEG, ao lado de uma também recente importadora de bebidas. O mercado é um grande sucesso de crítica, e assim como outros lugares considerados cool pela imprensa e por artistas, está começando a atrair este tipo de empreendimento. É provável em pouco tempo outras casas do gênero sejam abertas, mas, sinceramente, espero que a tradição popular não desapareça.

CADEG
Rua Capitão Felix, 110, Benfica
(21) 3890-0202 / 3526-5717
Segunda a sábado, 1 às 17h. Domingos e feriados de 1 às 14h.
Galpão (anexo) da Feira das Flores: segunda a sábado de 2 às 12h. Não funciona aos domingos.

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