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sábado, 22 de dezembro de 2012

Benjamin Abrahão e Livraria Cultura

A primeira vez que ouvi falar de Benjamin Abrahão foi no filme Baile Perfumado, que conta um pouco da história real deste libanês responsável pelos únicos registros fotográficos de Lampião enquanto vivia no sertão. O filme é excelente, gostei tanto que um dos poucos CDs que tenho na minha estante é a trilha sonora dele. Assista abaixo o trailer (filme completo aqui).


Na mesma época fui a um debate com os realizadores do longa no Centro Cultural Banco do Brasil, no Encontro com o Cinema Brasileiro, evento que acontecia uma vez por mês com sessão de cinema seguido de um bate-papo com os responsáveis pela produção. Era muito bom, pena que acabou.

Algumas pessoas são surpreendentes, por isso prefiro ler biografias do que romances. Certas histórias só funcionam na realidade, se alguém as tivesse escrita em ficção todos diriam que seria impossível tais acontecimentos na "vida real". Benjamin se encaixa neste perfil, por isso fui correndo para a nova loja da Livraria Cultura comprar Entre Anjos e Cangaceiros, que conta a história deste libanês "chapa quente", amigo pessoal de Padre Cícero. Quem recomendou foi Lira Neto em seu Facebook, autor da excelente biografia do Padim.

Ainda na primeira página do livro, parei para ler o perfil do autor, Frederico Pernambucano de Mello. Fica claro, pelo estilo do texto, que ele é historiador. É uma leitura enfadonha e com enormes notas bibliográficas em letras minúsculas, muitas vezes com fatos interessantes que podiam ser incorporados à narrativa principal. As melhores biografias e livros de história hoje são escritos por jornalistas, que sem perder a acuidade da pesquisa conseguem criar um texto fluido, entrando para lista dos mais vendidos. Alguns exemplos são o já citado Lira Neto, além de Laurentino Gomes e Ruy Castro.

Livraria Cultura

Livraria Cultura na Rua Senador Dantas
A amplamente aguardada segunda loja da rede foi finalmente aberta na Rua Senador Dantas, no lugar onde antes funcionava o Cine Vitória. É mais que uma loja, é um centro cultural com teatro, espaço para exposições, café e restaurante, enorme, certamente uma das maiores do Rio. Ainda é pequena com relação as de São Paulo, mas tornou esta capital um lugar mais interessante. 

Para comer, o tradicional Café Viena, com destaque para a salada de salmão defumado (R$21,90) e o submarino, café com barra de chocolate meio amargo, leite vaporizado e calda de chocolate (R$6,90).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sobre a soja

Depois do carnaval do ano passado, resolvi perder peso. Olhando as fotos, percebi que não dava mais para continuar daquele jeito. Nunca fui gordo, mas estava com uma barriga saliente e hábitos não saudáveis, e meu corpo cobraria se continuasse me alimentando de forma errada e sem praticar exercícios físicos.

Desde então comecei a fazer pequenas mudanças. Inicialmente deixei de comer dois acarajés da Ciça na sexta, depois deixei de comer dois pastéis da feira. No almoço, abandonei a pensão da Tia e passei a ir a um quilo. Em agosto comprei uma bicicleta e cada dia que passa adoto mais um novo hábito. Agora, tenho consumido bastante soja no lugar da carne. Estou fazendo diversas receitas, que com arroz, macarrão e pães integrais me fornecem a proteína e fibras que preciso com pouca gordura.

Mas com o plantio da soja vem o desmatamento da Amazônia, grilagem, violência, mortes, conflitos. Pequenos agricultores que se recusam a vender suas terras para a agroindústria são assassinados e suas casas são incendiadas. Com as madereiras e a pecuária, a soja é campeã em trabalho escravo e assassinato de trabalhadores.

Muitos dos produtos que consumimos são fruto de algum tipo de exploração. Calçados na Nike, camisetas da GAP, brinquedos da Disney e iPhones são apenas alguns exemplos, que utilizam trabalho semi-escravo em países em desenvolvimento. Frutas e legumes com agrotóxicos, carne com anabolizantes.

É minha gente, tá difícil.

O documentário abaixo fala sobre a soja e todas as mazelas que sua plantação tráz para a natureza e os trabalhadores da Amazônia.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Guias gastronômicos

Saiu recentemente a edição 2011 do Guia Rio Botequim, o terceiro escrito por Guilherme Studart. Comprarei meu exemplar assim que estiver disponível para venda na Saraiva ou Submarino, já que tenho todas as oito edições anteriores, desde quando era escrito por Paulo Thiago de Mello.

Gosto muito desta publicação, sem dúvida foi minha principal inspiração para criar o Ilhados, que inicialmente se chamava Ensopado de Caranguejo.

Indo por esta mesma linha, está para sair o Guia Carioca de Gastronomia de Rua. Segundo divulgado para imprensa, deveria ter sido lançado em dezembro, mas até agora nada. Já mandei um e-mail perguntando e não me responderam. Como o nome indica, nele estarão listadas as melhores comidas vendidas nas ruas da cidade. Claro que minha amada baiana Ciça está presente.

Uma das iguarias que pode ser apreciada na Ilha é o sushi do Arnaldo, presente todo sábado na feira da Ribeira, conforme já publiquei aqui.

Enfim, aguardo ansiosamente. Enquanto isso, assistam abaixo o teaser do curta Na Boca do Povo, que será lançado junto com o Guia.



Atualização (5jan): as duas obras já estão disponíveis na Livraria da Travessa: Rio Botequim 2011 e Guia Carioca de Gastronomia de Rua. Comprei ambos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2


Finalmente consegui assistir Tropa de Elite 2 no cinema do Ilha Plaza. O filme é muito bem feito, melhor até que o primeiro, mas preferi o anterior.

A seqüencia tem foco nas milícias e seu relacionamento com deputados e o governo. Fiquei impressionado como as pessoas que conheço e que assistiram a película saem do cinema indignadas, enojadas com tanta corrupção. Pensei que o filme mostraria os bastidores das negociatas que envolvem os diversos agentes ligados ao crime, mas não. Ele é bem didático e mostra tudo aquilo que é noticiado diariamente nos meios de comunicação. Realmente as pessoas não lêem jornais, precisam assistir um filme para entender como funcionam as engrenagens que movem o sistema.

Li Elite da Tropa assim que foi lançado, livro que serviu como base para o primeiro filme. Ele é dividido em duas partes: a primeira mostra diversos casos reais passados pelos policiais, o segunda é um romance baseado em fatos que mostra a negociata que ocorre entre o governo e os líderes do tráfico. Acho que esta última parte daria um roteiro melhor para o filme.

Vale a pena sair de casa, produção de nível internacional.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos

Às vezes meus textos são parecidos com episódios d'Os Simpsons: começam com uma pequena história que aparentemente não tem nada a ver com a trama principal e que servem apenas para iniciar e concatenar a narrativa.

O tema principal eu já tinha, que era descrever minhas impressões do filme Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos. Faltava apenas a introdução.

Eis algumas idéias que surgiram:

1- Pensei em começar falando de uma ex-namorada gostosíssima e bissexual que tive na adolescência;
2- A vez em que fiquei pelado numa peça de teatro quando era ator;
3- O manifesto de Pedro Cardoso sobre a nudez no cinema e que, apesar d'eu adorar ver peitinhos em telas de 400 polegadas, tenho uma namorada atriz e seria sacaneado até a morte pelos meus amigos caso ela faça uma cena de sexo;
4- Minha identificação com o personagem principal do filme, que tenta escrever um livro há anos mas não consegue por sua inaptidão;

São todas ótimas histórias, mas, como não consegui escolher uma, vou deixar para contá-las em outra ocasião.

Vamos ao filme:

O personagem de Caio Blat é um jovem com 30 anos que vive de mesada. Tenta se tornar um escritor mas não consegue sair da página 50 de seu romance. É casado com uma mulher que é seu oposto, decidida, doutoranda e com um futuro promissor.

O filme acerta quando faz com que nós, espectadores masculinos, nos identifiquemos com as neuroses que assombram nossas mentes doentias. Exemplo: às vezes temos certeza que nossas mulheres estão escondendo algo e, tal qual Sherlock Homes, vemos todas as pistas na nossa frente. Não tem como negar, alguma coisa está acontecendo. De repente algo acontece e vimos o quanto fomos idiotas, que toda nossa teoria conspiratória e que parecia tão bem embasada não passava de um surto psicótico.

Além disso, o filme aborda muitos outros temas, como a entrada de vez das mulheres no mercado de trabalho e na vida acadêmica e o impacto disso nos homens, e a síndrome de Peter Pan que acomete muita gente.

O filme é ótimo, mas mesmo assim ainda existe preconceito do público com filmes nacionais. Na sessão que eu estava só tinha 14 pessoas, um casal saiu antes do término e eu não paguei ingresso. Mas se tivesse pago não teria me arrependido.

Concordo com Pedro Cardoso, as cenas de nudez e sexo eram desnecessárias. Quando encontrei um amigo que também tinha assistido o filme, nosso diálogo foi o seguinte:

- E aí, viu o filme?
- Vi. Que loira era aquela?
- Maravilhosa.
- Ai, ai!!!!!

O filme vai ficar marcado por causa da loira maravilhosa que aparece nua, pelada e sem roupa, deixando todas outras qualidades, como o ótimo roteiro, para trás.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Avatar 3D


Parte da crítica exaltou, dizendo que Avatar iniciou uma nova fase do cinema mundial. Todos os comentários que li e ouvi afirmavam que assistir o filme era uma experiência única. Claro que fiquei curioso.

Nunca tinha visto um filme em 3D. Nenhum título já lançado, na maioria infantis e de terror B, despertou meu interesse, então vi no Avatar uma ótima oportunidade para saber como é essa experiência que todos estavam comentando, queria saber se é isso tudo mesmo. Não é.

Meu único interesse era ver as coisas saltando da tela. Assistiria o filme da Xuxa caso houvesse muitos efeitos desses. Como leigo que sou, identifiquei duas categorias principais dos efeitos em três dimensões. As nomenclaturas que você vai ler abaixo foram eu que criei. Obviamente devem existir nomes técnicos para isso.

Profundidade para dentro

O título é auto-explicativo, existe uma profundidade na tela durante todo o filme. Além disso, os objetos ganham cores mais fortes e vibrantes, ainda mais em Avatar, que se passa num planeta com muitos animais exóticos e plantas florescentes. Me senti nos anos 60, quando jovens tomavam psicotrópicos e iam ao cinema. Só isso é muito bacana, mas é muito pouco diante do que é possível fazer.

Profundidade para fora

O verdadeiro 3D, quando coisas saltam para fora da tela. Esse efeito em Avatar quase não existe, muito raramente passa o cano de uma arma, a ponta de uma flecha ou um galho de árvore desfocado. Decepcionante. Aquela imagem de divulgação veiculada nos jornais, com um dragão azul saindo da tela e indo em direção ao público, não acontece. Pura falácia.

Toy Story será relançado em três dimensões e no o trailer de poucos segundos é exibido mais imagens nessa categoria do que todo o Avatar. 

O Léo assistiu Força G e disse que a tela não existe limite entre o que é realidade ou filme. Ele exagerou absurdamente, os efeitos só acontecem dentro dos limites da tela, conforme desenho abaixo que fiz no paint:


Não sei se fui claro, mas mesmo os efeitos de profundidade para fora, em que coisas saltam, só acontecem dentro da área da tela.

Resumindo: se você quer assistir um ótimo filme com excelentes efeitos em duas dimensões, um cinema comum irá atender suas expectativas. Agora, se você quer ver efeitos em três dimensões de verdade, é melhor esperar Toy Story.

Adendo: o Cinema Leblon fica ao lado da Casa Clipper, bar original que deu origem à filial na Ilha do Governador. É um dos botequins mais famosos do Rio de Janeiro, presente em diversos guias e roteiros da cidade. Como tinha dez minutos, resolvi beber um chope para saber se, assim como Avatar, merecia a fama. Também não merecia. Servido em copo de suco e tirado de qualquer jeito, o chope é muito triste, como tem se tornado comum nos bares do Rio.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Simonal: Ninguém Sabe o Duro Que Dei



A primeira vez que ouvi falar de Wilson Simonal foi quando ele morreu em 2000. Assinava a Época e li uma reportagem sobre esse artista negro brasileiro. A reportagem inocentava Simonal das acusações que o mataram e culpava o Pasquim pelo ocorrido. Jaguar foi entrevistado e negou que suas críticas em forma de cartum foram responsáveis pelo ostracismo que o matou pouco a pouco.

O ponto final dessa história foi contada no excelente documentário Simonal: ninguém sabe o duro que dei.

A maioria dos meus amigos é ligado à música de alguma forma. Ou tocando, cantando e estudando, e duvido muito que boa parte deles conheça essa história. Você, que acha que sabe tudo sobre música, não deixe de assistir.

Wilson Simonal foi um dos maiores artistas brasileiros da década de 60, se igualando a Roberto Carlos. Tinha um domínio impressionante da platéia, muitas vezes deixava todos cantando, atravessava o público, ia para o botequim do outro lado da rua, bebia um café e quando voltava para continuar o show encontrava todos ainda cantando.

Negro de origem pobre, ignorava os acontecimentos políticos. Isso durante a ditadura era um grande problema. O Brasil se dividia entre os que apoiavam a ditadura, o lado negro da força, e os que lutavam contra ela, os cavaleiros do bem. Com a fama e dinheiro ficou arrogante, achava que podia fazer e falar o que quisesse.

Mandou dar um pau no contador que supostamente o estava roubando. A surra aconteceu dentro de um prédio do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), responsável pela repressão. A confusão se instalou e Simonal foi acusado de ser alcaguete da ditadura. Foi boicotado por todos os artistas, intelectuais e  meios de comunicação. Caiu no esquecimento.

Depressão, alcoolismo, morte.

O filme foi idéia do casseta Cláudio Manuel e conta com depoimentos de Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral (pai do Governador, jornalista que também foi do Pasquim), Bárbara Heliodora, Chico Anysio, Sérgio Motta, do contador torturado entre outros.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Milagre de Santa Luzia

Semana passada assisti O Milagre de Santa Luzia. O filme é ótimo mas não tem nada demais. Já vi coisa parecida na Rede Brasil. É um documentário sobre a sanfona, também conhecida como gaita e arcodeão.

Dominguinhos roda o país de carro, passando pelo Nordeste, Pantanal, região Sul e São Paulo, conversando com sanfoneiros, mostrando a diferença na forma de tocar em cada lugar e um pouco da história do instrumento.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A Onda


Final de semana passado assisti A Onda (Die Welle), filme alemão baseado em uma história real que aconteceu nos Estados Unidos em 1967. O bonequinho d’O Globo está dormindo, acusando o longa de usar efeitos dramáticos rasos para sentimentalizar a história, tentando, sem sucesso, pegar carona em filmes como Adeus, Lênin e Edukators.

Como sempre, não concordo com a crítica de Ruy Gardnier. Ele analisou o filme pelos seus recursos cinematográficos, mas eu enxerguei o filme por outro ângulo, como a contação de uma história que realmente aconteceu.

O filme foi “baseado em fatos reais”, mas gostaria de saber até que ponto a história contada no filme condiz com os tais “fatos reais”. Qual a porcentagem mínima necessária de verossimilhança para um filme poder estampar essa expressão na sua sinopse?

Lembro que há muitos anos participei de um seminário no auditório do Jornal O Globo sobre a adaptação de textos literários para outras linguagens, inclusive para o cinema, e um dos palestrantes falou sobre isso. Claro que não lembro o que foi dito, por isso procurei no Google rapidamente, mas nada achei.

O filme se passa durante as aulas de autocracia de uma escola secundarista alemã, em que os alunos afirmam que regimes totalitários como o Nazismo e o Fascismo não são mais possíveis de serem aplicados em sociedades que já experimentaram a democracia. O professor decide, então, passar um exercício para provar o contrário, que acaba ultrapassando os limites da sala de aula e assumindo sérias conseqüências.

Apesar da dúvida em saber até quem ponto a história é verdadeira, gostei de saber que os jovens alemães também enfrentam alguns dos mesmos questionamentos dos brasileiros: a não existência de um objetivo comum que una os jovens e o nacionalismo que só surge em épocas de Copa do Mundo.

domingo, 23 de agosto de 2009

Verônica Decide Morrer


Eu gosto de Paulo Coelho. Não por sua literatura fraca com textos rasos, mas por levar um pouco de leitura para milhares de pessoas. Diante da pergunta “qual o seu escritor favorito?”, empregadas domésticas, porteiros e modelos têm o que responder.

Comprei Verônica Decide Morrer assim que ele foi lançado e até hoje respondo que é a única coisa do Paulo Coelho que gostei. Talvez se lesse novamente mudaria minha opinião.

Estreou esse final de semana o filme baseado nessa obra. O bonequinho estava dormindo, mas mesmo assim fiquei curioso em assistir.

sábado, 22 de agosto de 2009

O Contador de Histórias

Fazer um filme que conta a história de um dos 10 melhores contadores de histórias do mundo não é tarefa fácil. Ou o diretor é melhor contador do que o personagem do filme ou é melhor deixar o próprio fazer o trabalho.

O Contador de Histórias tinha tudo para ser um filme melhor do que é. Desperdiça diversos momentos, cenas que começam bem mas não conseguem ser finalizadas. Acredito que isso tenha acontecido pelo próprio processo de criação do cinema, em que a construção dos personagens e os ensaios não são tão profundos quanto no teatro.

Exemplo disso é a cena em que o Roberto é espancado. Não convence, fica nítido que os outros rapazes não estão batendo, estão fingindo. Outra cena que tinha tudo para dar certo é a que ele é violentado. Muito fraca, dava para fazer melhor, como em O Caçador de Pipas.

Além disso, nenhuma grande atuação e uso excessivo do cigarro, que é quase um personagem coadjuvante. Impressionante a quantidade de cenas em que a francesa aparece fumando. Completamente desnecessário, o cigarro descaradamente assume um papel de bengala no filme, ou seja, é utilizado como recurso para tirar o foco do espectador. Isso piora quando se trata de um filme que deveria transmitir uma mensagem educativa.

Mas o longa tem seus destaques, como a curta participação de Chico Diaz, o ator que interpreta o Roberto mais jovem (o moleque é uma gracinha), a pesquisa de figurino e cenário, que conseguem reproduzir com precisão a época em que se passa a história.

Também gostei dos encenações da imaginação do Roberto, cenas fantasiosas e coloridas, bem ao estilo do desenho animado O Fantástico Mundo de Bob. Nada que já não tenha sido feito (e melhor), mas que é sempre agradável assistir.

Quem já assistiu uma entrevista do Roberto no Jô Soares já conhece todas as cenas. O próprio contando sua história é muito mais envolvente, emocionante e engraçado.

Destaque também para o final, com os créditos já aparecendo, do Roberto fazendo um de suas sessões de contação de num parque. O cara é genial.

Tomara que o filme escolhido para representar o Brasil no Oscar seja o Tempos de Paz.

Nota: dá para esperar sair em DVD.

Veja o site oficial do Roberto Carlos Ramos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Briga entre Globo e Record

Ontem publiquei a reportagem do Jornal Nacional que ataca o Edir Macedo e a Rede Record. A Record prontamente respondeu, também com uma reportagem enorme sobre o passado suspeito da concorrente.

O objetivo deste blog nunca foi a imparcialidade, mas como a Globo também não é santa, vou fazer uns breves comentários.

É sabido e notório a forma de atuação da Globo ao longo de sua história: apoio à ditadura, cobertura parcial das Diretas Já, tentativa de fraude com o objetivo de prejudicar o Brizola das eleições para o governo do Rio de Janeiro em 1982 (descrito em forma de diário pelo jornalista Paulo Henrique Amorim no livro Plim-Plim: a Peleja de Brizola Contra a Fraude Eleitoral – muito bom, tenho e recomendo), sem falar na compra suspeita do terreno que hoje abriga o Projac.

O caso das caras pintadas que derrubaram o Collor é outro que causa dúvidas e discussões até hoje. Muita gente acredita que quem derrubou o presidente foi a Globo. Esse tipo de pensamento é extremamente prejudicial ao Brasil e à democracia, uma clara tentativa de fazer com que a população se sinta impotente com relação ao rumo político do país. Quem derrubou o Collor foi a população, lotando as ruas e manifestando sua indignação. Pensar de outra forma é uma idiotice, faz com que o cidadão deixe de acreditar no seu poder de mobilização e transformação.

Enfim, tanto a Globo quanto a Record possuem passado (presente e futuro) dúbios, com muita suspeita de corrupção.

Em 1993 a rede britância BBC de televisão produziu um documentário contando um pouco da história da Rede Globo e seu monopólio dos meios de comunicação no Brasil, equivalente apenas a países ditatoriais e suas redes estatais. É claro que a Globo entrou na justiça e conseguiu proibir as exibições de Muito Acima de Cidadão Kane, mas o vídeo foi exibido secretamente dentro de universidades e centros comunitários.

Graças ao Youtube, você pode assistir esse importante documentário na íntegra. Muito importante para nos ajudar a manter nossas mentes um pouco mais livres.



terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tempos de Paz

Adoro assistir filmes nacionais. Eles possuem uma estética própria, e isso é importante para se diferenciar das produções de outros países.

Esse final de semana assisti Verônica, de Maurício Farias e com Andréa Beltrão. Um filme completamente desnecessário, foi um dispêndio de dinheiro, tempo e trabalho a troco de nada. A energia gasta na produção se esvaiu em interpretações pífias e num roteiro fraco. Verônica não propõe nenhum tipo de reflexão e tampouco serve como entretenimento, já que nem divertido o filme é.

Mas felizmente existem produções excelentes. Fui convidado para assistir a pré-estréia do, em minha opinião, o melhor filme brasileiro já realizado, além de ser um dos melhores filmes que já assisti.

Difícil descrever Tempos de Paz, com Tony Ramos e Dan Stulbach. Veja a sinopse:

Em abril de 1945 os combates da 2º Guerra Mundial já cessavam na Europa, mas o Brasil ainda estava tecnicamente em guerra. O combate entre Segismundo, interrogador alfandegário e ex-torturador da polícia política de Getúlio Vargas, com o ex-ator polonês Clausewitz, confundido com um nazista fugitivo, se desenrola na sala de imigração do porto do Rio de Janeiro. Tudo porque o fim da Guerra, por ironia do destino, é o que tira a paz de Segismundo. Ele teme a vingança de seus ex-prisioneiros.

E hoje chefe da imigração na Alfândega do Rio de Janeiro, Segismundo é quem decide quem entra ou não no país. Clausewitz terá que usar todo o seu talento de ator para provar que não é um seguidor de Hitler. O filme retrata um período crítico da história brasileira e fala do maniqueísmo e da luta pela vida.

Aproximadamente 80 por cento do filme é composto pelo interrogatório entre os dois protagonistas, o interrogador Segismundo (Tony Ramos) e o interrogado polonês Clausewitz (Dan Stulbach, que lembra muito o personagem de Tom Hanks em O Terminal). Só essa breve descrição já é suficiente para deixar muita gente preocupada, afinal de contas, um filme em que quase a totalidade do enredo se passa apenas entre duas pessoas conversando pode parecer monótono e chato. Mas não é, está muito longe disso.

A cena em que Clausewitz interpreta uma de suas cenas para Segismundo é simplesmente genial, chorei copiosamente. Uma das coisas mais bonitas que já vi. Tempos de Paz consegue ser um filme comercial e de arte ao mesmo tempo.

Além dessa linha principal do roteiro (o interrogatório) existe uma história paralela que também é ótima, conduzida pelo médico interpretado pelo diretor Daniel Filho.

Vou ao cinema novamente, dessa vez acompanhado da minha digníssima, que, assim como o personagem de Stulbach, é atriz e vai se identificar muito com as passagens em que ele descreve sua paixão pelos palcos.

Com minha rasa capacidade de fazer um relato objetivo é impossível transmitir a qualidade do filme e fazer uma resenha. Acho que o primeiro Oscar para o Brasil está para sair.

Também ganhei ingressos para assisti O Contador de Histórias, que estreou essa semana. Conta a história verídica de Roberto Carlos, que foi menor infrator e hoje é um dos maiores contadores de histórias do mundo. Assisti uma entrevista dele há alguns anos no Jô e fiquei muito emocionado (também chorei, algum problema?), uma puta história de vida.

Ainda não vi, mas acredito que deva ser um bom filme. O que me deixa preocupado é que gostei tanto do Tempos de Paz, é tão bem feito, que dificilmente superará O Contador de Histórias. Mas O Contador... tem cara desses longas que vão fazer mais sucesso entre o público e a crítica, ainda mais por estar associado ao Criança Esperança, correndo grande risco de ser o indicado brasileiro ao Oscar.

Enfim, são apenas suposições. Depois de assistir eu comento aqui.

Não deixe de assistir Tempos de Paz. Simplesmente imperdível.

Atualização: antes de virar filme, essa história era uma peça teatral com os mesmos protagonistas em cena. Por isso é tão bom. Ponto para o teatro.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Como fazer um cuta metragem

O Vitor Ali é o cidadão que fez o vídeo a seguir: Como fazer um curta metragem experimental, cult e pseudo-intelecutal. Já é bem conhecido, sendo publicado em vários blogs.



Minha digníssima está atuando em seu próximo curta, que inclui zumbis e uma música do Wando. Vai ficar sensacional e assim que estiver pronto coloco por aqui.

Abraços, Izidoro.

domingo, 29 de março de 2009

Tropa de Elite

Acabei de assitir Notícias de Uma Guerra Particular, de João Moreira Salles. É um documentário de 97 que entrevista traficantes, policiais, a população e autoridades de segurança do estado. Muito bom, todo cidadão deveria assistir. 

Marcinho VP, protagonista do excelente livro O Abusado, é um dos entrevistados. Minha digníssima também leu e assistimos o documentário juntos.

Também é entrevistado o então capitão do BOPE Rodrigo Pimentel, um dos autores do Elipe da Tropa, que originou o filme Tropa de Elite. Comprei esse livro na mesma semana que ele deu uma entrevista no Jô Soares. Para quem não leu, o livro é dividido em duas partes. A primeira é feita com relatos reais de ações da polícia. A segunda é uma história fictícia que mostra como funciona os bastidores do combate ao crime organizado, negociações entre delegados e secretários com os líderes do tráfico. O primeiro Tropa de Elite foi baseado na primeira parte do livro e a continuação na segunda.

O filme é ótimo e estou ansioso para ver a sequencia. Está passando no Telecine e só esta semana já assisti duas vezes. Isso é muito raro, eu, geralmente, só consigo assistir o mesmo filme novamente alguns meses depois. 

Inicialmente ele foi rodado para ter o André Matias como protagonista. Ainda bem que o diretor percebeu que o Capitão Nascimento tinha muito mais potencial e, na boa, o ator que intepreta o Matias é muito fraco.

Tropa de Elite foi muito bem feito. Até o elenco de apoio é do caralho. A cena em que os mecânicos do batalhão discutem se a viatura tem ou não carburador e aquela passada na frente de uma loja de autopeças parecem cenas reais, filmadas enquanto elas realmente aconteciam. 

A parte do livro de onde saiu o filme não possui um personagem. São várias histórias contadas em pequenos capítulos, mas realmente tem um policial que consegue uma bolsa de estudos na PUC. Essa história é sensacional e é uma pena não ter entrado no roteiro. Durante uma manifestação de estudantes, a polícia foi chamada, já as duas pistas de uma rua importantante da Zona Sul fora bloqueada. O policial responsável pela operação foi andando em direção à manifestação. O líder dos estudantes vai ao seu encontro e os dois se encaram no meio da rua.

Os dois eram amigos de infância e falaram brevemente sobre suas vidas. O policial pede para que os estudantes liberem uma das pistas. Como eram grandes amigos, o estudante volta e atende o pedido. Um padre da PUC assistiu a tudo de longe e ficou impressionado com a capacidade do policial em negociar a liberação da pista. Foi até ele, elogiou seu desempenho na negociação, em não apelar para a violência e deu uma bolsa integral. Nessa parte eu me emocionei.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ilhados Cult


Não sei qual a freqüência, mas a FGV de Botafogo realizada sessões de cinema gratuitas, seguida de debate com alguém que trabalhou no filme. Esta quinta (6 de novembro) será exibido o documentário Dia de Descanso (Day of Rest), de Peter Fry. Veja a sinopse:

Em 1969, o antropólogo inglês Peter Fry, com uma câmera na mão e um aparelho de captura de som no ombro, observou e registrou, em Zâmbia, a rotina econômica e religiosa dos imigrantes que fugiram, entre 1957 e 1964, da política racial de regulação territorial da Rodésia do Sul (atual Zimbábue). Três anos antes, Peter Fry pesquisara naquele país para sua tese de doutorado, defendida na University College of London. Essa volta ao campo na África resultou no filme Dia de Descanso (Day of Rest), que tem a duração de 25 minutos.

Peter Fry conversará com os espectadores após a exibição.

Quando: 6 de novembro, às 18:30h
Onde: Cineclube FGV - Praia de Botafogo 190, auditório 305
Quanto: a entrada é gratuita e não é necessária inscrição.

domingo, 10 de agosto de 2008

Encarnação do Demônio

Sexta-feira assisti Encarnação do Demônio, com Zé do Caixão. Muito ruim, mas muito, muito, muito ruim. De tão ruim que fica interessante.


O filme foi todo feito de forma artesanal, com baratas, ratos e sangue de verdade. O único efeito especial foi o céu vermelho, quando o Zé vai ao purgatório.


O filme é o último de uma trilogia iniciada na década de 60. O mais engraçado é que José Mojica realmente acredita que aquilo é um filme de terror e não gosta quando o classificam como trash. Todo mundo no cinema morreu de rir, é tão tosco que fica muito engraçado. Parecia O Lobisonho da Montanha, filme que participei com meus amigos quando passamos um final de ano na casa do Rodrigo, em Teresópolis.


Numa determinada cena, Zé vai matar uma policial gostosa que tinha tentado prendê-l0. Ela está amarrada e completamente nua. Depois de jogar calda de queijo sobre o corpo da vítima, ele pega uma ratazana enorme e enfia na buceta da policial. O mais engraçado é a visão de dentro da vagina da mulher, com a ratazana entrando. Muito bom. Muito tosco. A partir daí já dá para imaginar o resto.

Encarnação do Demônio já nasce como um clássico. Vá assistir ainda esta semana, para dar uma força ao cinema nacional.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Notícias do blog


Tenho duas notícias para os leitores desse blog sinistro:

1- Resolvi me mudernizar e comprei uma máquina. Já estou registrando o comportamento bizarro dos populares cariocas e em breve teremos material novo;

2- Deu um xabu no template do blog. Não sei se conserto ou troco, mas pretendo resolver este problema neste final de semana.

Abraços a todos, que agora vou assistir Encarnação do Demônio, com Zé do Caixão.

Update: já comecei a mudar o template.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Nome Próprio

Uma das primeiras utilidades dos blogs foi como diários de adolescentes que tornavam públicas suas frutrações também adolescentes. Ainda bem que isso mudou.

Leandra Leal vive uma blogueira no filme Nome Próprio, que conta suas frustrações adolescentes num blog, no ido ano de 1991, numa época em que você tinha que esperar passar da meia noite para conectar.

Uma merda, mas a Leandra Leal aparece pelada várias vezes, sem falar nas cenas de sacanagem. Satisfiz uma vontade que tinha desde quando ela fez o papel de uma ciganinha numa novela qualquer: vê-la pelada. O filme só vale por isso.