terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Simonal: Ninguém Sabe o Duro Que Dei



A primeira vez que ouvi falar de Wilson Simonal foi quando ele morreu em 2000. Assinava a Época e li uma reportagem sobre esse artista negro brasileiro. A reportagem inocentava Simonal das acusações que o mataram e culpava o Pasquim pelo ocorrido. Jaguar foi entrevistado e negou que suas críticas em forma de cartum foram responsáveis pelo ostracismo que o matou pouco a pouco.

O ponto final dessa história foi contada no excelente documentário Simonal: ninguém sabe o duro que dei.

A maioria dos meus amigos é ligado à música de alguma forma. Ou tocando, cantando e estudando, e duvido muito que boa parte deles conheça essa história. Você, que acha que sabe tudo sobre música, não deixe de assistir.

Wilson Simonal foi um dos maiores artistas brasileiros da década de 60, se igualando a Roberto Carlos. Tinha um domínio impressionante da platéia, muitas vezes deixava todos cantando, atravessava o público, ia para o botequim do outro lado da rua, bebia um café e quando voltava para continuar o show encontrava todos ainda cantando.

Negro de origem pobre, ignorava os acontecimentos políticos. Isso durante a ditadura era um grande problema. O Brasil se dividia entre os que apoiavam a ditadura, o lado negro da força, e os que lutavam contra ela, os cavaleiros do bem. Com a fama e dinheiro ficou arrogante, achava que podia fazer e falar o que quisesse.

Mandou dar um pau no contador que supostamente o estava roubando. A surra aconteceu dentro de um prédio do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), responsável pela repressão. A confusão se instalou e Simonal foi acusado de ser alcaguete da ditadura. Foi boicotado por todos os artistas, intelectuais e  meios de comunicação. Caiu no esquecimento.

Depressão, alcoolismo, morte.

O filme foi idéia do casseta Cláudio Manuel e conta com depoimentos de Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral (pai do Governador, jornalista que também foi do Pasquim), Bárbara Heliodora, Chico Anysio, Sérgio Motta, do contador torturado entre outros.

2 comentários:

  1. E aih, blz ?  

    Eu não vi o doc, mas eu lembro da história, era criança atenta à música ! 

    Acho que não foi só isso,

    O que lembro é que ele foi um cantor vindo do jazz e samba, e de repente começou a cantar coisas como " minha mãe passou açúcar ni mim " , " agora é cinzas " , etcc... populacho. 

    Ou seja, comparando a hoje, é como se a Zélia Duncan começasse a gravar Calcinha Preta, Zé Rico e Milionário, etc... populares, sem consistência musical para usar a voz e o talento dela.


    VLW !! 

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  2. Fala Gógol,

    Assista o documentário, é muito bom.

    Eles falam disso também, o estilo dessas músicas que ele começou a cantar ficou conhecido como pilantragem, mas o que acabou mesmo com ele foi essa história de ter mandado dar um pau no contador e ser acusado de dedo-duro.

    Abraços.

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