sexta-feira, 1 de julho de 2011

Bar Luiz

Quando o Bar Luiz foi fundado, em 1887, D Pedro II ainda era imperador e a Lei Áurea não tinha sido assinada. Um dos estabelecimentos mais antigos da cidade, foi ali que surgiu o hábito do brasileiro em beber cerveja, já que antes o vinho era a preferência nacional. Seu segundo dono, o forte alemão Adolph, fazia uma brincadeira com seus clientes: desafiava-os para uma queda-de-braço. Se perdesse, pagava o vinho. Se ganhasse, o cliente teria que beber o chopp da casa. Não precisa dizer que a brincadeira pegou, e é um privilégio sentar em uma das mesas onde surgiu o gosto do carioca (e do brasileiro) pela nossa amada cerveja.

Inicialmente localizado na Rua da Assembléia, mudou para a Carioca em 1927, mas sob protestos de seus freqüentadores, os azulejos nos quais pisaram importantes artistas, poetas, músicos e políticos de um Rio de Janeiro ainda Capital Federal, e que neles discutiram importantes questões para o futuro do Brasil, foram levados para o novo endereço. Foi tombado pelo município em 1986.

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma turba de estudantes liderados pela UNE e João Saldanha chegaram na porta do bar para destruí-lo, já que o estabelecimento levava o nome de seu proprietário, Adolph, levando os manifestantes a acreditarem se tratar de uma homenagem ao ditador alemão. Sorte que numa das mesas Ary Barroso bebia tranquilamente seu chope, que falou:

- Pára com isso, João, que o dono é meu amigo e anti-fascista!

O Bar Brasil, outro centenário em funcionamento e que também carregava um nome alemão, não teve a mesma sorte e foi depedrado.

Tripulação de em submarino alemão e partidários do nazismo. Década de 30 no Bar Adolph (fonte)

O relato acima foi apenas um pequeno resumo, o site do Bar Luiz conta toda sua história com mais detalhes.

O chope

Já reclamei aqui várias vezes sobre a baixa qualidade do chope nos bares da Ilha, e o que é servido do Bar Luiz é o responsável por esta minha opinião. Infelizmente, aquele que já foi o melhor do Brasil, sofreu um inacreditável golpe, com a direção mudando os fornecedores da bebida. Agora, o chope escuro é o Xingu e o claro Sol.

Apesar disso, o processo de armazenamento e estocagem da bebida mantêm os padrões, com uma chopeira vertical de bronze, gelo picado e, dizem, uma serpentina de 720 metros. Junte-se a isso a extrema habilidade dos garçons que manuseiam este equipamento com destreza invejável, resultando num chope cremoso, gelado e na medida certa. Peça na pressão e a bebida virá com três vezes mais espuma, em uma consistência que semelhante a um sorteve.

Chope do Bar Luiz

Chopeira como esta só existem, no máximo, cinco no Rio de Janeiro. Já manifestei aqui minha idéia da Brahma resgatar estas relíquias, voltando a construir outros exemplares e distribuí-las para alguns bares. Pode-se fazer uma boa campanha de marketing, com concursos e participação da população.

Outra raridade guardada na casa é o esquentador de chope, uma pequena barra de metal utilizada numa época em que os cuidados com os dentes ainda não eram como hoje. E a foto original da fábrica da Brahma, peça única, cuja venda para a cervejaria foi recusada pelos proprietários.

A comida

Um dos carros chefes do Bar Luiz é a salada de batatas, que acompanha kassler, salsichas, filés, lingüiças entre outras opções.

Kassler (costela defumada) com salada de batatas: R$40,00
O cardápio é variado, com frango, frutos do mar, saladas, pratos alemães, frios, aperitivos.

Um local histórico, com um chope e refeições como em pouquíssimos locais na cidade.

Serviço

Kassler com salada de batatas: R$40,00
Chope: R$5,00
Rua da Carioca 39 - Centro
2262-6900

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