quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Guerra do Iraque e Sérgio Vieira de Melo

Há algum tempo que quero fazer alguns comentários sobre a guerra do Iraque e o funcionário brasileiro da ONU, Sério Vieira de Mello:

O alvo

O Oriente Médio era a nova fronteira para o neoliberalismo estadunidense. Depois de conquistar mercados na América Latina (a partir da década de 70), Europa Oriental, África do Sul e Ásia (final da década de 80 e anos 90), os países árabes seriam os próximos a serem conquistados.

Mas por onde começar? Uma pesquisa de mercado foi feita para descobrir qual o melhor país a ser invadido e qual motivo teria maior aceitação pela opinião pública e pela população dos Estados Unidos. O resultado: a produção de armas de destruição em massa do Iraque. Tomo mundo sabe que essas armas nunca foram achadas.

A pré-invasão

A guerra midiática começou antes da invasão. Programas estadunidenses mostravam para a população as mais recentes tecnologias de guerra, reportagens revelavam o quão mal era Saddan e seu regime, preparando a opinião pública para o apoio à guerra e amedontrar os iraquianos, que recebiam as notícias através de parentes que moravam no exterior e antenas parabólicas.

A invasão

Os primeiros ataques foram direcionados para empresas de comunicação, como telefonia, rádio e TV. Depois as empresas de energia elétrica, deixando a população no escuro.

A ocupação

Esse é o maior problema. Vou tentar resumir em tópicos:

- As leis e, inclusive, a Constituição para o novo país foram feitas pelo governo dos Estados Unidos, sem participação dos iraquianos;

- Todas as estatais foram vendidas para empresas estadunidenses a preço de banana, que demitiram milhares de funcionários;

- As empresas iraquianas não participaram do processo de reconstrução;

- Até os trabalhadores na reconstrução eram estrangeiros, o número de nativos contratados foi muito pequeno;

- Empreiteiras estadunidenses que receberam bilhões de dólares para construção de escolas, hospitais, residências e outras instalações não completaram o trabalho, o dinheiro foi desviado e as poucas construções que saíram do papel estavam inacabadas;

- Milhares de funcionários públicos iraquianos foram demitidos (soldados do exército, médicos, professores, engenheiros, operários etc);

- Eleições distritais foram canceladas pelo exército de ocupação; entre muitos outros atos de barbárie.

Ou seja: as riquezas iraquianas estavam sendo saqueadas enquanto a população passava fome.

Claro que protestos começaram a surgir, tentando acabar com essa festa. Os protestos pacíficos nas portas da Zona Verde não surtiram efeitos, então começou a resistência armada.

Soldados demitidos levaram suas armas para casa e uma massa de desempregados sem perspectivas iniciou a tentativa de frustrar a farra dos Estados Unidos. Uma seqüência de prisões arbitrárias, torturas e assassinatos contra toda a população iraquiana, que fazia parte da resistência ou não, tentou calar a todos para que os saques estrangeiros continuassem.

O ONU, como sempre, não moveu uma palha para acabar com essa pilhagem. Sempre se colocou do lado da ocupação e seus métodos bárbaros.

Um belo dia, uma bomba explode na sede da ONU em Bagdá e mata um brasileiro, o Sérgio Vieira de Mello, que, mais rápido do que um ex Big Brother, vira herói no Brasil.

Chegamos ao ponto da história que eu quero comentar.

Depois de uma reportagem no Jornal Nacional, Sérgio Vieira de Mello vira herói. A ONU eu conheço, sei que é apenas mais um braço para impor políticas neoliberais ao redor do mundo.

Acho impressionante como as pessoas absorvem qualquer notícia que passa no JN. Não conheço o Sérgio, mas com certeza alguém comprometido com a paz mundial não trabalha na ONU. E é essa imagem que a população brasileira tem desse filho do gigante deitado em berço esplêndido: um embaixador da paz no Iraque.

Assim como eu não conheço o Sérgio, não sei o que ele fez, o resto da população brasileira que o reconhece como um ser santo também não conhece.

Resumindo a história: para virar herói, santo, guerreiro da democracia e da paz, basta aparecer no Jornal Nacional como tal.

Um comentário:

  1.         A ONU teve uma origem tão nobre, recuperar a Europa da Segunda Guerra. Nasceu em 26 de outubro, e hoje ninguém lembra a data. Foi por muitos anos uma almofada entre os EUA e a URSS, nos conflitos da disputa conhecida por Guerra Fria. 

    Quando os Soviéticos " peidaram ", nos anos 80, a ONU virou essa coisa aí que vc explicou muito bem, um escritório a serviço dos conglomerados financeiros. E ainda deixou milhares de muçulmanos morrerem executados na Sérvia. 

    Quanto ao JN, eu concordo, mas discordando um pouco. 

            Eles podem sim fazer e destruir pessoas, mas não podem controlar inteiramente o processo. Eles  jogam prá ver se cola.  É o público, pouco educado e muito crédulo, quem embarca nessa ou naquela onda de mídia. O Embaixador Sérgio VM será gradativamente esquecido. Já o Collor, que Globo fez e derrubou depois, é um clássico. Será lembrado como o poder é mal usado. 

           Ou seja, o poder muito grande de um grupo muito pequeno é um risco à evolução e até às boas maneiras. Esse jornalismo emotivo, novelão, está condenado ao ridículo, quando os jornalistas estão entre pessoas de bem. 

                 Mas tudo isso passará em alguns anos. Qualquer jovem semi-analfabeto que passar somente pelo Orkut, já estará melhor informado que na mídia convencional, que atira prá todo lado. E se, enquanto jovem você habitua, porque mudar no futuro ? Foi assim que eles cehgaram onde chegaram, por hábito do povo. Os hábitos estão mudando, o povo também, a TV aberta, não.

    VLW !!

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