sábado, 6 de março de 2010

Bar do Bigode

Engraçado como demoro para resenhar bares que freqüento com mais assiduidade. Talvez por sempre estar lá, acabo adiando o texto, já que oportunidades não faltarão para fazê-lo.

Não vou ao Bar do Bigode há alguns meses, mas esse deveria ser o primeiro buteco a ser citado no Ilhados, já que batia cartão por lá assim que resolvi criar esse blog.

Ele fica em frente ao Corpo de Bombeiros, onde antigamente funcionava a mercearia Cosme e Damião. Quando era moleque sempre passava por dentro da mercearia, porque ganhava uma bala da portuguesa dona do estabelecimento, que ficava no caixa. O lugar fechou e foi divido em duas ou três lojas. Hoje abriga um salão e o Bar do Bigode, que não tem esse nome, foi um apelido carinhoso que coloquei por conta dos pelos que adornam o rosto do proprietário, Seu Aluízio.

Ele possui duas filhas que o ajudam, servindo cerveja gelada e expulsando os bêbados inconvenientes. Impressionante a moral que elas possuem, encaram qualquer um e não fazem cerimônia em dar uma bronca naqueles que insistem em bagunçar a tranqüilidade dos "bebessais". A Rélem (não sei se é assim que se escreve, mas é assim que se pronuncia), é muito bonita, possui longos cabelos loiros cacheados, e dizem até que já apartou briga de faca.

Aquelas mesas já presenciaram diversos momentos da minha vida: desde alegres horas em companhia da minha digníssima até fossas e depressões. Finais de noite depois da faculdade e finais de tardes de sábado.

Durante um bom tempo um junkebox animou os que lá ficavam. Era uma dessas moderninhas, com um monitor que exibia o clipe da música escolhida ou fotos de belas paisagens. A música favorita dos bebuns do bar era We Are The World, de Michael Jackson. Não é mentira, tocava, no mínimo, umas três vezes por noite. Um dia contei cinco reproduções. O engraçado era que o clipe passava no monitor e os bêbados se abraçavam e levantavam a mão, cantando emocionados. Todas as brigas e indiferenças eram esquecidas durante os cinco minutos da canção. Foi tão marcante no meu relacionamento que acabou virando uma das músicas do meu namoro.

Além da junkebox, uma das coisas que deixou saudade foi o feijão preparado pela esposa do Seu Bigode. Uma bandeja com diversas carnes do feijão ficava exposta no balcão, aguando a boca da gente. Gostosa também era a lingüiça acebolada. A freqüência dos comes diminuiu porque os fregueses preferem o churrasquinho vendido ao lado do ponto de táxi, servido num pratinho com farofa e vinagrete. É bem gostoso, é verdade, mas um bom feijão de buteco é incomparável. Talvez ainda esteja sendo servido nos finais de semana, tenho que passar lá para conferir.

2 comentários:

  1. Saindo um pouco da Ilha, inaugurou uma cachaçaria no último fim de semana na Taquara, Jacarepaguá. Muito gostosinha. A caipirinha deles é melhor do que a minha! =o
    Tem que conferir. E, quando for, me leva junto! ;D

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  2. Por mais que me agrade a idéia de conhecer uma cachaçaria, acho pouco provável ir até a Taquara para isso, mas pode deixar que você está incluída na visita.

    Beijos.

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