domingo, 29 de agosto de 2010

Um desserviço ao hábito da leitura: Circulando Cultura

Eu ia começar esse texto com uma das poesias disponíveis para leitura nos coletivos da cidade, mas como eu quero que você leia o texto até o final, desisti.

É um projeto que supõe incentivar a leitura, mas que na verdade afasta as pessoas dela. A Rio Ônibus e da Academia Brasileira de Letras colaram cartazes no interior de 8.600 coletivos com poesias de autores como Olavo Bilac e Gonçalves Dias. Dá uma olhada no exemplo abaixo, Círculo Vicioso, de Machado de Assis:

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
“Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
“Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela”
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume”!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume…
Enfara-me esta luz e desmedida umbela…
Por que não nasci eu um simples vagalume?”…

Mais um exemplo do quanto a Rio Ônibus e a Academia Brasileira de Letras são instituições distantes da população.

2 comentários:

  1. Isso acontece também nas escolas.Meu filho tem 15 anos, está no 1º ano do ensino médio e devido à educação que recebeu tem o hábito da leitura, mas detesta os livros adotados pela escola por estarem fora da realidade. Aí a leitura vira obrigação e caça à resenhas na internet. 
    PS: Adota uma fêmea e batiza de PINGA.

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  2. Pois é Sandra, tanta coisa boa para as pessoas lerem e eles ficam publicando esses textos. Na escola acontece a mesma coisa. É triste.

    hahahahahahahaha Está anotada a sugestão.

    Abraços.

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