terça-feira, 17 de maio de 2011

Ninguém escapa do chicote

Relendo Hamlet, vi uma das frases mais marcantes de Shakespeare, mas que não é muito citada por aí.

Ao mandar seu criado receber muito bem seus visitantes, tem como resposta: - eles serão tratados como merecem.

Hamlet imediatamente retruca: - Não! Trate-os melhor. Se todos fossem tratados como merecem, ninguém escaparia do chicote.

Isso me fez relembrar alguns dos meus pecados, mesmo que na hora eu soubesse se tratar de algo errado dentro do meu conjunto de valores:

- Já cobicei a mulher do próximo;
- Já falei mal de amigos pelas costas;
- Já desejei que projetos de terceiros falhassem, por pura inveja ou ciúme;
- Já fiquei com troco que me foi dado a mais;
- Já fui omisso em diversas situações;
- Já fui preconceituoso e fiz julgamentos equivocados;
- Já sacaneei irritante e insistentemente diversas pessoas; entre muitos outros jás.



Me considero uma pessoa boa, sempre tentando fazer o certo dentro da visão judaico-cristã-ocidental do mundo, mas o fato é: não existem santos. Li uma reportagem sobre uma nova biografia do Gandhi que está sendo lançada, desmistificando um pouco esta figura. Ele já recrutou soldados na Índia para lutarem do lado inglês na Segunda Guerra, além de ter participado de combates na África do Sul. Dizem as más linguas (e disto o mundo tá cheio) que, apesar de pregar o sexo como ato motivador da violência, fazia chacachaca com as belas jovens que dormiam com ele em trajes sumários.

Quando comecei a escrever este texto, tinha como intenção pedir desculpas àqueles que foram vítimas dos meus desvios de caráter inerentes aos seres humanos. Mas quer saber? Não vou me desculpar p*%!# nenhuma. Também já fui atingido (e muito), e como não sou melhor que ninguém, não devo nenhuma retratação.

Mas que fique claro que não guardo mágoas dos meus algozes. Vida que segue.

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