terça-feira, 30 de outubro de 2012

O fiel e o teatro

Adoro documentários, e recentemente aconteceu o Festival do Rio, que é um prato cheio para pessoas como eu. Já tive idéias com amigos para fazer alguma coisa mas nada vingou.

Uma dessas idéias é que eu gostaria de frequentar diversas denominações religiosas e documentar isso em vídeo. Participar dos rituais, conversar com líderes para tentar entender suas posições com relação a vida. Já escrevi algumas coisas aqui e acho que daria um bom material. Não é novidade, já foram feitas coisas do gênero, mas o ponto de vista de um ateu ainda não foi explorado.

Por exemplo: quero um dia passar por uma sessão de descarrego em uma Igreja Universal. Quero ir ao altar e passar pela experiência de ser descarregado, ou seja lá o nome que isso tenha, filmar tudo e depois contar, no calor dos acontecimentos, o que senti.


Já tive uma experiência próxima a isso. Depois de uma atividade numa Igreja Batista em Mesquita, fui cercado pelos membros que colocaram as mãos sobre mim. O jovem pastor, uma pessoa muito inteligente e com um excelente discurso, fez uma analogia com o filme Avatar, na qual todas as criaturas azuis se conectam para ressuscitar o protagonista. Todos oraram e realmente me senti bem ali, com aquela "energia positiva" emanada para mim. Acredito que foram os símbolos do ritual que fizeram eu me sentir confortável e, emotivo que sou, quase chorei. Não vi nenhuma força espiritual ou divina sendo exercida, apenas o carinho que um monte de gente, o que já é suficiente para me comover.

Mas cada pessoa interpreta essas sensações de um jeito diferente. Vez por outra assisto aos programas evangélicos que passam na televisão e sempre tem aquele momento no qual o público pega o microfone para dar algum depoimento. Uma senhora que estava com dores na perna que se foram tão logo ela entrou na igreja, alguém que não estava conseguindo andar por conta de uma lesão e que agora pode se movimentar livremente, essas coisas. Sou ateu e não acredito em milagres, mas entendo perfeitamente o que essas pessoas passam.

Fiz teatro na adolescência e ainda tenho muitos amigos da área, e é bem comum ouvir relatos de artistas que estão se sentindo mal, como dor de cabeça ou gripe, mas que no momento que sobem no palco todos esses sintomas desaparecem. Eu mesmo já passei por isso. É impressionante, não sei bem o que acontece, mas o corpo se encarrega de aliviar todos os males por um tempo até que determinada tarefa seja concluída. Tem gente que acha que foi Ága, Baco ou Dionísio, eu acredito que é apenas um mecanismo de defesa do nosso organismo. É a mesma coisa que acontece com o fiel da Universal, afinal de contas, ambas manifestações são formas de interpretação, com seus ritos e símbolos.

Agora, porque escrevi tudo isso, não sei.

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