sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Zilda Arns, presunto cru e foie gras

Há uns dois anos a instituição em que trabalho e outras organizações e personalidades brasileiras receberam um prêmio do Jornal Folha Dirigida. Zilda Arns foi uma das homenageadas e tive a oportunidade de cumprimentá-la.

Foi um dia muito especial, comi metade de uma pata negra servida no coquetel. Também tinha um patê de foie gras coberto com uma geléia de frutas silvestres vermelhas divino.

A pata negra é uma modalidade de presunto cru, assim como o presunto de parma. O presunto de parma é um dos mais famosos e seu nome acabou se tornando o nome genérico para essa categoria de presunto, assim como champagne virou sinônimo para vinho espumante. O presunto de Parma é produzido na cidade homônima na Itália, e a prefeitura possui um órgão responsável por verificar e atestar cada peça individualmente.

A pata do porco, que pode ser de várias raças distintas (o pata negra é feito com a ibérica, animal selvagem de pelo curto e negro, com uma unha negra que dá nome à iguaria), é defumada e colocada inteira num suporte, cortada na hora de servir. É um dos pratos mais bonitos que já vi, aquela pata gorda do porco sendo desfiada na sua frente.



Já o foie gras é um dos pratos mais cruéis que o ser humano já criou. Patos e gansos são alimentados a força, colocam um funil comprido em suas gargantas e altas doses de comida são despejadas goela abaixo. Seus fígados adoecem, ficam muito maiores do que o normal e são comidos inteiros um em patês ao redor do mundo. Alguns países já proibiram sua produção.



Voltando para a Zilda:

Ela era uma pessoa iluminada, dessas que fazem o bem porque nasceram para isso. O sorriso e a presença dela transmitem uma paz que nunca vi em nenhuma outra pessoa. Não é mentira, me senti muito melhor apenas diante de sua presença. Impressionante.



Já falei superficialmente por aqui um pouco da minha posição religiosa. Não consigo entender como alguém termina o segundo grau e continua sendo católico, depois de ver todas as barbaridades que a igreja fez e faz ao longo de sua história. Mas religião é uma coisa que nunca será explicada pela razão, o Bispo Macedo e o casal da Igreja Renascer continuam com milhões de fiéis, que os defendem depois de tudo que já foi provado contra eles.

Mas a igreja católica possui as pastorais. São diversas: Pastoral de Terra, do Idoso, Carcerária, da Criança. Zilda criou esta última, mobilizando uma rede de milhares de voluntários em todo o Brasil. Já ganhou diversos prêmios internacionais e sua metodologia está sendo replicada em outros países.

A Pastoral da Criança funciona da seguinte forma: alguns padres acreditam que o papel da igreja, além de evangelizar e cuidar das almas de seu rebanho, é também de luta para construir um mundo melhor, ajudar a acabar com a desigualdade social e com a pobreza. Eles, em suas paróquias, permitem a implementação do trabalho das pastorais. Os fiéis, então, trabalham voluntariamente desenvolvendo o trabalho.

Os voluntários da pastoral da criança visitam as famílias do entorno da paróquia, fazendo pesagens regulares das crianças e identificando as subnutridas. As que estiverem abaixo do peso recebem a multimistura, um composto alimentar natural e muito barato, rico em vitaminas e sais minerais.

As famílias também recebem orientações sobre reaproveitamento dos alimentos, receitas com cascas e folhas que geralmente são jogadas no lixo.

Mais uma pessoa boa se foi. E o Sarney, nada!

2 comentários:

  1. Embora não seja católica, tenho grande respeito por quem é, e mesmo pela instituição, apesar das barbaridades que, como aprendemos no segundo grau, foram cometidas por seus representantes.
    Nunca tive a oportunidade de apertar a mão ou ver pessoalmente o sorriso de Dona Zilda Arns, mas todas as vezes que vejo uma de suas fotos, em que ela invariavelmente sorri, ela me passa a ideia - mais: a sensação - de ter sido uma mulher, uma pessoa que faz a gente não desistir de ser humano, apesar de sabermos, seja por experiência, seja por leitura, de todas as bobagens, barbaridades e atrocidades - de dirigir embriagado a prender a filha por décadas num porão e ter com ela uma pá de filhos a alimentar à força um animal para comer seu fígado doente - de que os seres humanos somos capazes.

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  2. Algumas pessoas defendem que o ser humano é naturalmente mal, outros acham que somos bons. Vou por um meio termo, algumas pessoas só se tornarão ruins se a sociedade oferecer meios para tal, e, infelizmente, ela está.

    Um dia divago mais sobre o assunto.

    Beijos.

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