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terça-feira, 1 de junho de 2010

Mutirão de Conservação

Na reta final das últimas eleições, panfletos apócrifos que denegriam a imagem de Gabeira foram amplamente distribuídos no Rio. A Polícia Federal deteve quatro pessoas numa kombi com material contra o candidato do PV na Avenida Brasil, e o responsável apontado por um dos detidos (que então trabalhava como cabo eleitoral na campanha do atual prefeito) foi, poucos meses depois, nomeado subprefeito da Ilha do Governador (link). Eduardo Paes negou participação no episódio e tudo ficou por isso mesmo. É só jogar no Google e ler as notícias publicadas na época (link).

Não vou fazer inferências, mas conhecendo o mundo político como qualquer brasileiro, qualquer suposição leva a uma ligação entre o atual prefeito, a distribuição dos panfletos e o então subprefeito do bairro. André Santos ficou pouco tempo no cargo, que foi extinto.

Com esse histórico ficou difícil confiar numa nova gestão municipal da Ilha.

Enfim, outro dia escrevi sobre a volta da subprefeitura e as prioridades da nova gestão. Pouco tempo depois recebi uma ligação do próprio Vitor Accioly e conversamos por quase meia hora, ele esclareceu suas propostas para o bairro, que vão muito além de apenas decidir o destino das picas de cristal. Gostei da postura dele e realmente conseguiu me convencer que veio com vontade de trabalhar pela Ilha. No mesmo dia sua assessoria de imprensa me enviou a reportagem (abaixo, clique para ampliar) sobre sua nomeação publicada no Golfinho.


Quero destacar um trecho do matéria:

" (o prefeito) chegou à conclusão de que a Ilha do Governador, pela sua importância, e ainda mais sediando o principal portão turístico de entrada do país, teria que possuir uma estrutura administrativa de maior porte - e resolveu reativar a subprefeitura."

Não entendi a importância citada da Ilha do Governador. Por que o prefeito acha que a Ilha é mais importante que alguma outra região da cidade? Por que somos, por exemplo, mais importantes que os cidadãos de Jardim Urucânia, em Santa Cruz? Partindo do mesmo raciocínio, por que quem mora na Zona Sul é mais importante para o prefeito do que nós, insulanos, já que lá a conservação pública é (ainda que também precária) melhor realizada que aqui?

É claro que todas as obras de infraestrutura que estão sendo construídas para as Olimpíadas e para a Copa são bem-vindas, mas tudo isso poderia ser realizado de forma mais efetiva para a população sem precisarmos sediar tais eventos, conforme explorado nos livros Development and Dreams: The Urban Legacy of the 2010 Football World Cup e  Soccernomics. Não vou me estender no assunto, mas tudo é feito de forma a beneficiar os patrocinadores e os organizadores do evento. Recomendo a leitura desta matéria publicada na Revista Piauí sobre a Copa da África do Sul.

Resumindo, a reabertura da subprefeitura teve dois objetivos: a "importância" (eleitoral?) do bairro e a proximidade dos grandes eventos esportivos que aportarão em breve na cidade. Logo, o cidadão insulano novamente estará em segundo plano.

Quero deixar claro que acredito na vontade do Vitor Accioly, mas continuo sem acreditar no Eduardo Paes. Marina Silva renunciou o cargo de Ministra do Meio Ambiente diante da impossibilidade de realizar as mudanças necessárias para uma boa gestão. Encontrou um sistema tão fechado que impedia que todas suas sugestões fossem realizadas, tornando-se apenas uma figura meramente ilustrativa. Logo, resolveu renunciar  e manter íntegra sua biografia.

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Comecei essa postagem para falar sobre o mutirão que acontece hoje e amanhã na Ribeira. Diversos órgãos da prefeitura se encontrarão às 8 horas na praça e percorrerão as ruas do bairro, ouvindo as reivindicações dos moradores e programando reparos.

A iniciativa é excelente e deve ser aplicada em outros bairros da Ilha.

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