sábado, 18 de agosto de 2012

Tia Rita adorava o circo

Tia Rita era quem mais gostava quando o circo chegava e levantava lona no Aterro do Cocotá. Gostava mais do eu e todos os meus primos. Naquela época os animais ainda eram permitidos, e elefantes, leões, macacos, camelos entre outros bichos faziam parte do cast.

Ainda durante a montagem, tia Rita procurava o dono do circo para uma conversa. Pelo que sei, o negócio foi fechado em todas as abordagens.

Os sacos de batata eram fornecidos pelo Seu Paulo, que até hoje comanda um botequim na Freguesia. Dizem que é o bar mais antigo da Ilha. Não sei se ele sabia o destino daqueles sacos, se soubesse talvez não os fornecesse, pelo menos não gratuitamente.

Era na calada da noite que agíamos. Tia Rita, os primos Paulinho, Pedroca e eu. Com alguns petiscos nas mãos e carinhas de santos, chamávamos os bichamos agachados e esfregando os dedos. Não era difícil capturá-los, em poucos minutos o bicho estava dentro do saco. Durante a temporada do circo, conseguíamos aproximadamente 30 gatos em duas ou três noites de caçada por ruas de menor movimento. Era engraçado ver o saco de batatas fechado, miando e se movendo. Pedroca, sádico que só ele, gostava de bater com um pau quando a Tia Rita não estava olhando.

Uma vez pude presenciar o consumo de um dos bichamos. Jogado na jaula, sem ter para onde ir, ficava todo eriçado. O leão, com muita calma, dava apenas uma patada, suficiente para apagar o gato. Logo em seguida, fazia a refeição.

Com o dinheiro da venda Tia Rita fazia um churrasco, ou pelo menos assim quero acreditar. Tia Rita adorava quando o circo montava a lona no Aterro do Cocotá.

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Acho que vou transformar esta crônica num roteiro para curta. Baseado em fatos reais.






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