quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Solidez e solidão

Todos parecem sérios e sólidos pela manhã, nas barcas. Alguns lendo notícias em seus ipads, filmes e seriados em iphones, jornais, revistas de negócios. Outros conversam animadamente. Todos parecem sérios e sólidos nas barcas, pela manhã. Mas é quando a noite cai e as tarefas diárias estão encerradas, é quando estamos sozinhos dentro do quarto, com ninguém olhando, que nossos medos e aflições fazem questão de dar oi.

Incialmente Rossio Grande, a Praça Tiradentes era local de ciganos. Depois passou a ser ponto de residência de nobres, com teatros que lotavam com apresentações de artistas franceses. Voltou a ser frequentado pela plebe e agora vive mais um momento de "revitalização", ou seja, expulsão dos pobres.

É a noite que nossas frustações resolvem dar oi

Enquanto os desprovidos ainda circulam por lá, os butecos recebem a massa operária que procura nos balcões sujos um momento de escape das rígidas hierarquias do trabalho e das obrigações de provedor familiar. Queria quer fotografado, mas achei melhor manter no anonimato aquela fileira de homens cabisbaixos, em silêncio, cada um olhando para seu próprio copo de cerveja, como que buscando soluções para seus problemas, tal qual os antigos ciganos que montavam suas barracas naquele entorno olhavam as mãos daqueles que em troca de algumas moedas buscavam um pingo de esperança no futuro.

Todos parecem sérios e sólidos pela manhã, mas é a noite que nossas frustrações fazem questão de dar oi.

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