segunda-feira, 10 de junho de 2013

Motoristas da Ideal pedalando pela Ilha do Governador

Como profissional de comunicação, já fiz vários eventos nos quais o objetivo era chamar a mídia. Depois que os veículos de comunicação registravam tudo e iam embora, levantávamos acampamento. O público-alvo dessas ações não eram as poucas centenas de pessoas que circulavam pela rua, e sim as milhares que tomariam ciência do fato pela televisão. Não há nada de errado nisso, mas em alguns casos esse tipo de postura não pode ser tomada e o evento em si tem mais importância do que a cobertura midiática.

No último domingo foi organizado um passeio ciclístico com motoristas da Ideal. A finalidade era fazer com que eles sentissem como é pedalar pelas ruas, estimulando a mudança de postura positiva com relação a nós, que escolhemos nos locomover utilizando pernas sobre duas rodas.

A iniciativa foi da própria empresa, que depois de uma formação em sala de aula para seus profissionais, organizou o passeio em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, responsável pelo transporte cicloviário na cidade (sic). Segundo noticiado em janeiro n'O Dia, 400 motoristas fariam o passeio:

A iniciativa foi noticiada em janeiro

Quando cheguei na garagem da Ideal, por volta das nove da manhã, percebi o repórter da Globo News chateado porque não havia nenhum motorista para ser entrevistado. Puta velha do jornalismo que é, logo identificou que aquilo se tratava de uma ação publicitária, um factóide criado para que a Ideal e a Prefeitura saíssem bem na foto. Fui entrevistado, mas meu objetivo não era, de forma alguma, atacar a iniciativa, era apenas apontar algumas questões que deveriam ser corrigidas nos próximos eventos (clique aqui para assistir a reportagem).

Minhas críticas:

- Ao contrário do noticiado em janeiro (imagem acima), identificamos a quantidade pífia de três motoristas no evento;
- O trajeto foi muito curto, de um quilômetro;
- Havia batedores dando cobertura aos ciclistas, que ocuparam toda a pista. Situação muito longe da real, daquela que enfrentamos diariamente.

A Associação de Ciclistas da Ilha

A Ilha do Governador possui uma associação, formalmente constituída, que tem como objetivo representar os ciclistas da região. Entretanto, as lideranças da entidade são pessoas que não acompanham as discussões sobre mobilidade e desconhecem a diferença entre as estruturas cicloviárias básicas, como ciclovia, ciclofaixa, ciclorrota e faixa compartilhada. Quando vejo alguns deles dando entrevistas, fico com vergonha alheia.

Um exemplo deste desconhecimento é sobre a faixa pintada na Praia da Bica. Aquilo é uma faixa compartilhada, ou seja, pode ser usada tanto por ciclistas quanto motoristas. Ela serve para reforçar que a preferência é da bicicleta, mas, na ausência dela, os carros e ônibus podem por lá trafegar. Mas não é esta a percepção da associação, que replicou erroneamente o pensamento expresso abaixo:

Isso não é uma ciclovia e não há nada de errado em ter um ônibus trafegando por ela, visto que nenhum ciclista está passando por ali

Também não concordo com outras posturas da associação, que quando procurada pela mídia costuma atacar o Anel Cicloviário ao invés de tentar angariar a simpatia da população da Ilha por ele. Além disso, se omitem quando acontecem colisões. Um ciclista morreu atropelado por um ônibus e tudo que fizeram foi um minuto de silêncio antes do passeio mensal. A mesma coisa quando os atletas da equipe de ciclismo da Portuguesa foram atropelados no Fundão. A associação nada fez, suas atividades se resumem ao passeio mensal que sai do Cocotá.

Depois que dei a entrevista para a Globo News, o presidente da ACIG me interpelou, dizendo que se eu tivesse falado alguma bobagem ele iria mandar parar a gravação. Na hora não percebi, mas quem foi que outorgou a ele o direito de monopolizar as opiniões sobre o assunto? Por qual motivo ele acha que pode cercear o que eu penso sobre o assunto? Deveria ter dado a resposta na hora, mas só percebi percebi o absurdo que ele me disse. Enfim, coisas que acontecem.

A iniciativa foi ótima, mas espero que as próximas sejam melhores.

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