domingo, 29 de setembro de 2013

Atropelamento na Ilha do Governador


Acabei de presenciar um atropelamento. Escrevo este texto com os gritos de dor ainda ecoando na minha cabeça. Mais que uma senhora distraída e uma moto com as luzes apagadas, o maior responsável foi, novamente, o planejamento urbano que coloca os carros acima da vida.

Já consigo imaginar as pessoas para quem eu relatar o ocorrido colocando a culpa na mulher, que atravessava fora da faixa, dizendo que as ruas foram feitas para os carros. O mais absurdo é que atualmente não só as ruas são feitas para os carros, mas também as calçadas, parques e até escolas são derrubadas para construção de estacionamentos.

Enquanto o irmãozinho está na igreja orando, seu carro obriga as pessoas a se arriscarem pela rua
Vamos supor que as ruas tenham surgido junto com as primeiras cidades na Mesopotâmia, 3.500 anos antes de Cristo. Os carros só se tornaram um item popular em 1908, quando Ford criou a linha de montagem do seu modelo T. Então, as ruas existem há 5.408 anos antes do carro, ou seja, NÃO, as ruas NÃO foram feitas para eles.

Mas em algum momento até os defensores dos veículos motorizados precisam se locomover andando. Será que eles seriam capazes de andar os aproximadamente 200 metros (ida e volta) para atravessar a Estrada do Galeão no sinal mais próximo? Em alguns pontos da Ilha, a situação é ainda pior. Quem desce de ônibus no ponto da Eapac, para chegar do outro lado da estrada precisa percorrer 390 metros, atravessar pela passarela e fazer a mesma distância para voltar, totalizando quase 800 metros (imagem a seguir, do Google Earth). Na boa, alguém faz isso? Claro que não. Todos os dias vejo pessoas correndo como frangos, arriscando a vida, para chegar ao outro lado. O canteiro central da pista ainda é gramado, ou seja, quando chove fica escorregadio e lamacento, aumentando ainda mais o risco.

800 metros para atravessa a Estrada do Galeão. 1.600 se for ida e volta
 Até quando nossas ruas serão sinônimo de violência?


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