segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tipos em épocas de crise

Observando o que está acontecendo nos últimos dias no Rio, consegui identificar alguns tipos comuns:

Os neuróticos

Eles realmente estão apavorados com o clima de guerra, resultado de altas taxas de exposição à mídia. Um percurso de carro entre o Leblon e a Barra é traçado com auxílio de iPhones para consulta das melhores vias, através de informações fornecidas por sites como o G1 e o Twitter. Compromissos são cancelados.

Este tipo é composto principalmente pela classe média e seus aspirantes.

Os aproveitadores

Fazem uso do clima de medo para faltarem ao trabalho e não cumprirem suas obrigações. Escolas distantes da área de conflito tiveram aulas canceladas, bancos, entre outros serviços, fecharam. Grupo composto principalmente por funcionários públicos.

Os normais

Não compraram o clima de pavor generalizado vendido pela mídia e continuam levando suas vidas normalmente. Conseguem até ver alguma vantagem, visto a facilidade em conseguir mesas em bares e o trânsito menos complicado, já que os neuróticos e os aproveitadores ficaram em casa. Faço parte desta categoria.

Os “especialista”

Impressionante o número “especialistas” que são chamados para falar merda na televisão. Lembro um caso de um homem que se dizia engenheiro de estruturas das Forças Armadas que era sempre chamado pela Globo para dar pareceres quando algum prédio ou ponte caía. Acho chegou a falar até no Fantástico. Depois descobriram que ele não era engenheiro e nem militar.

Hoje de manhã mais um cabra desses deu sua solução mágica para acabar com a violência no Brasil: as pessoas deixarem de consumir drogas e produtos piratas, já que este dinheiro vai para as mãos de traficantes. A história do homem e dos entorpecentes andam juntas, e a imagem de um mundo sem drogas só pode ter saído da mente de alguém que teve o cérebro consumido pelo crack ou coisa que o valha. Sai do espelho Alice!

Isso sem falar nos produtos piratas. Para quem não lembra, ou não sabe, muitas fábricas dos produtos “originais” são localizadas em países pobres com mão-de-obra semi-escrava. A Nike virou notícia depois que descobriram que mulheres que costuravam tênis no Vietnã sofriam castigos físicos. Não sei até que ponto os traficantes são piores que certas empresas formais.

E ainda tem os governantes. Um caso que sempre gosto de contar: o objetivo da Câmara de Vereadores é resolver os problemas da cidade, e em uma única canetada eles conseguiram piorar dois deles, quando permitiram que motoristas de ônibus também fizessem o trabalho dos cobradores. Além de diminuir em milhares os postos de trabalho, pioraram o trânsito, já que o tempo de embarque nos veículos aumentou.

E aí, você acha que os poderes estabelecidos de direito realmente são melhores que os traficantes? Você acha que a Câmara de Vereadores e seus similares fazem algo de diferente daqueles que colocam armas nas mãos de adolescentes?

4 comentários:

  1. Tive a mesma impressão sua desse estardalhaço todo entre as pessoas, principalmente pela dimensão da cobertura da mídia.
    publiquei uma parte deste texto seu no meu blog http://inbienero.blogspot.com/ , claro , com os devidos créditos. se vc não permitir retiro o texto sem problemas, um abç

    ResponderExcluir
  2. Tive a mesma impressão sua desse estardalhaço todo entre as pessoas, principalmente pela dimensão da cobertura da mídia.
    publiquei uma parte deste texto seu no meu blog http://inbienero.blogspot.com/ , claro , com os devidos créditos. se vc não permitir retiro o texto sem problemas, um abç

    ResponderExcluir
  3. Comentando again...
    Li seu texto no blog do cunhado e até comentei por lá. Muito boa definição pras neuras infinitas da situação e no momento-alemão.

    ResponderExcluir
  4. Valeu Juliana.

    Abraços.

    ResponderExcluir