quinta-feira, 12 de maio de 2011

Reflexões sobre o consumo

Outro dia, bebendo umas na Praia da Bica com minha cunhada, ela ficou horrorizada ao saber que não dou presentes para minha digníssima em datas "comemorativas" como o natal, aniversário e dia dos namorados.

Não sou consumista. Não uso roupas caras e as poucas que tenho só são trocadas quando não tem mais jeito. Apesar de adorar a internet e ter parte da minha renda oriunda deste veículo, não possuo essas traquitanas que mantêm as pessoas conectadas 24 horas por dia, como iPhones, iPads e similares. Meu celular tem mais de quatro anos e só será substituído quando deixar de funcionar completamente.

Na verdade, tenho certo medo desses iQualquercoisa, medo de descobrir que não vou mais conseguir viver sem eles. Por isso prefiro distância.

Meus principais gastos, tirando os itens de necessidades básicas, são cerveja e acarajé (se bem que a gasolina e manutenção do Uno 1990 que minha digníssima pilota têm me deixado com dificuldades de sentar).

Sou uma pessoa que vive feliz com pouco, mas este não é o principal motivo que me faz não presentear minha digníssima nas datas comerciais.


Primeiro motivo: como sou pós-graduado em marketing, tenho consciência das armadilhas criadas pelos profissionais da comunicação para convencer-nos a comprar. É como se o garçom comesse no restaurante imundo onde trabalha depois de ver como a comida é preparada.

Segundo motivo: não sou cristão, e a maioria das datas comerciais são relacionadas ao cristianismo. E mesmo se fosse, essas datas são mentirosas. O natal, por exemplo: Jesus não nasceu em dezembro, já que era inverno e as peregrinações não aconteciam neste período. Seus pais estavam em trânsito para participar do censo judeu realizado por Roma, o que segundo historiadores ocorreu em março do ano 7. Ou em outubro, durante a ida de José e Maria para a Festa dos Tabernáculos, celebração da colheita em Belém. O dia 25 de dezembro foi escolhido para apropriação da celebração ao deus pagão Sol.

Então, se você acha que Jesus nasceu em dezembro, você foi enganado. Não quero festejar a mentira. Uma coisa que eu não gosto é ser feito de otário, e é assim que me sinto ao responder esse tipo de manipulação com consumo.

Mas confesso que às vezes me sinto mal. Minha digníssima reclamou por não ter ganhado chocolate na páscoa. E por falar em páscoa, se Jesus morreu na sexta da paixão e ressuscitou três dias depois, ele deveria ter voltado à vida na segunda, e não no domingo.

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