domingo, 18 de maio de 2014

Sobre alimentos orgânicos

Prezo muito minha alimentação e para isso dedico um bom tempo da minha vida planejando o que vou comer. Pesquisando alimentos e receitas, frequentando feiras e armazéns, lendo rótulos dos produtos no supermercado, comendo orgânicos, vegetais e cozinhando. Moro perto do meu trabalho e por isso posso almoçar em casa a comida que eu mesmo preparo.

Esse blog, que surgiu para resenhar botequins da Ilha do Governador, mudou completamente de foco. Obviamente continuo frequentando bares e saboreando a baixa gastronomia, principalmente da Região Portuária, minha nova morada, mas tem tanta gente escrevendo melhor sobre o assunto que resolvi direcionar minha atenção para outros temas. Militante que sou pela construção de cidades mais humanas, achei pertinente deixar minhas impressões sobre o assunto por aqui.

Um dos meus maiores prazeres atualmente é ir com minha namorada, de bicicleta, à feira de orgânicos que acontece todo sábado na Glória. Eventualmente bebemos algumas cervejas depois e almoçamos em casa. A cozinha fica extremamente perfumada com esses alimentos e são muito mais saborosos. Saber que estamos consumindo vegetais que não agridem o meio ambiente e que remuneram de forma justa seus produtores ajuda a tornar a experiência ainda mais especial.

Muita gente acha equivocadamente que a agricultura orgânica deveria ser mais barata porque nela não existe o custo dos agrotóxicos. Eles são mais caros porque a produção por hectare desta forma é em média de 20 a 25% menor do que a que utiliza os métodos tradicionais e são necessários mais trabalhadores na mesma área. Outros fatores que também influenciam preço mais elevado são as leis de oferta e procura e a remuneração mais honesta dos agricultores.

Diante disso (menor produção e custos elevados), será que é possível alimentar toda a humanidade com alimentos orgânicos? A resposta é..... ninguém sabe. Não há estudos concretos capazes de responder esta dúvida porque a comparação entre os dois métodos em escala global é muito complexa e com muitas variáveis. Mas uma coisa ninguém pode questionar: as pessoas estão morrendo por conta do veneno que estão comendo. Além disso, a agricultura orgânica é mais justa em todos seus aspectos, ambientais, sociais e econômicos, e buscar formas de torná-la acessível a todos deve ser prioridade.

A criação de um sistema capaz de alimentar de forma saudável toda a população mundial passa por mudanças que ultrapassam a fronteira da agricultura, envolvendo questões como mobilidade, planejamento urbano, educação e, principalmente, o capitalismo, que ao colocar o dinheiro acima de qualquer outra prioridade condena milhões de pessoas que vivem à margem do consumo. Mas isso é assunto para outra postagem.

Abaixo, um vídeo que didaticamente mostra a diferença entre uma batata cultivada de forma orgânica e a tradicional.

E, para quem mora na Ilha, a Horto Vitae entrega em casa. Já pedi e aprovo.




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