terça-feira, 22 de julho de 2014

Preparar o que outras pessoas vão comer para mim é uma das atividades mais nobres dos seres humanos

Quando você acorda de manhã e planeja seu dia, qual a importância dada à alimentação? Ao contrário do que foi imaginado no início da revolução tecnológica, os computadores e todas as facilidades de comunicação não fizeram com que as pessoas tivessem mais tempo livre, pelo contrário, elas estão trabalhando cada vez mais. Diante disso, entre montanhas de trabalho para fazer e três, quatro horas perdidas no trânsito diariamente, nossas refeições acabam ficando entre as últimas prioridades.

Felizmente consegui organizar minha vida para ter tempo para pensar o que vou comer. Moro perto do trabalho e de um supermercado, por isso almoço em casa quase todos os dias a comida que eu mesmo preparo. Ingredientes frescos, frutas, sucos, sem nenhum tempero artificial ou alimentos prontos. Vou ao supermercado ou ao hortifruti umas quatro vezes por semana, e, ao contrário da maioria das pessoas, eu gosto disso. Fico feliz quando vejo tomates maduros para o preparo de molho, cenouras bonitas para sopa, inhame e batata baroa.

Preparar o que outras pessoas vão comer para mim é uma das atividades mais nobres dos seres humanos. Minha ilustríssima costuma dizer que antigamente as mulheres utilizavam fogueiras para fazer magia, atualmente elas usam o fogão. Comida de mãe cura. Uma refeição feita com carinho às vezes tem mais poder do que remédios.


No local onde trabalho frequentemente temos cursos e oficinas nos quais oferecemos lanche. O público são líderes comunitários que atuam em áreas em risco social, e muitos deles também se encontram na mesma situação das pessoas que procuram ajudar. Preparar esse lanche era sempre tarefa do estagiário, que de qualquer forma, entre muitas outras tarefas, acabava comprando biscoitos cheios de açúcar ou sódio. Pacotes prontos no supermercado, alimentos que eu mesmo não comia por serem prejudiciais à saúde. Resolvi chamar para mim essa responsabilidade e agora sou eu quem prepara o coffee break. Vou ao supermercado e escolho o melhor pão, pasta de soja, frutas, queijo, bolo. Faço para as pessoas que atendo o que eu como na minha casa e, por mais atarefado que eu esteja, sempre faço o preparo sem pressa, deixando de lado todas as outras coisas. Não acredito nessas histórias de energia, mas sempre manuseio os alimentos com calma e pensamentos positivos.

Além de ser uma atividade que me dá prazer, é um exercício de humildade. Engraçado como as pessoas costumam ver e tratar como subalterno aqueles que ficam na cozinha. Às vezes tenho vontade de parar de fazer isso, de voltar a deixarem servir Clube Social e biscoito recheado no intervalo, mas eu ainda acredito que pequenas ações são importantes para se criar um lugar melhor para se viver, nem que seja oferecer um cardápio saudável e diferente para quem está em situação de insegurança alimentar.

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