segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Admirável mundo novo ou 1984?

Outro dia, a caminho de mais uma exibição de filme com debate que eu e alguns amigos organizamos em praças públicas, discutíamos se nossas ações de fato contribuíam para mudar alguma coisa. A gente se fode na rua e na favela a polícia continua matando, os políticos continuam roubando e a gente continua tendo que se virar com instituições sucateadas.

E a guerra contra toda essa injustiça está cada vez mais desleal. Se os manifestantes hoje continuam utilizando paus e pedras, como é feito há centenas de anos, o Estado tem recursos para comprar armas de alta tecnologia, como canhões supersônicos, blindados, tasers, drones e até mesmo um micro-ondas que aquece os tecidos das pessoas, provocando uma onda de choque dentro do crânio (ainda em fase de teste), utilizado para impedir o acesso à um perímetro protegido. E aí, vamos conseguir passar por cima disso?
Sem falar no controle da justiça e dos meios de comunicação, parcerias com empresas que liberam acesso a todo conteúdo transmitido pelo Facebook, e-mail, WhatsApp e entras ferramentas, permitindo o monitoramento e repressão a qualquer ato julgado subversivo.

Com este cenário, frequentemente imagino um futuro distópico.
 
Uma distopia é um sociedade controlada através da repressão extrema feita por um estado totalitário, muito utilizada no cinema e na literatura. Acho que as duas mais famosas são as retratadas nos romances 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Em 1984 vemos uma ditadura parecida como o nazismo e o fascismo, um Estado totalitarista que realiza o controle da população através da censura, violência e vigilância. Já Huxley imaginou um mundo que estimula o prazer e a luxúria, no qual as pessoas são criadas artificialmente e não possuem vínculos afetivos com outros seres humanos.

Muita gente já comparou os dois livros, mas quero ilustrar a diferença com alguns desenhos que achei no blog Bacon Frito:






Como bem disse o amigo Alex Gomes no Facebook, estamos vivendo a mistura dos dois. De fato, somos controlados tanto pela dor, quando a violência é utilizada contra manifestantes, quanto pelo prazer, com boa parte da sociedade anestesiada no mundo do consumo. Tentam nos esconder a verdade ao mesmo tempo em que ela fica perdida em meio a futilidades, como notícias sobre celebridades e fofocas.

Por melhor que seja a ficção, a vida real é mais complexa e nosso futuro caminha para a improvável junção entre o Admirável Mundo Novo e 1984.

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