terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Quantas vidas a rua salvou?

É muito fácil se acomodar com a vida. Quando menos se espera estamos fazendo tudo igual. Trabalho para casa, casa para o trabalho. A diversão se resume a encher a cara de cerveja nos mesmos botequins. Sair para fazer alguma coisa diferente dá uma puta preguiça. De repente a barriga está enorme e vestimos chinelo e camiseta para ir até em festa de casamento.

Escrevo isso por experiência própria, me tornei uma caricatura do Homer Simpson. O resultado foi uma separação, terapia, frangalhos da minha auto-estima e uma das piores fases da minha vida. Me olhava no espelho achando que morreria sozinho, que ninguém se interessaria por uma alguém como eu.

Felizmente consegui reverter a situação. Tracei alguns planos (escritos no blog Falta eu Acordar) e agora sou o oposto do que fui.


O que me salvou foi a rua. Redescobri a paixão em pedalar, em ocupar as praças e militar por causas coletivas. Conheci a mulher com a qual pretendo passar o resto da vida, gente com interesses em comum e este ano participei de dois eventos incríveis em São Paulo, com pessoas que estão lutando para construção de cidades melhores.

Morar numa metrópole e ter acesso à internet potencializa a arte do encontro. Seja qual for seu interesse, é possível conhecer pessoas com os mesmos gostos e encontrá-las. Para o bem e para o mal. As ferramentas estão aí, disponíveis para quem quiser.

É muito fácil calcular quantas vidas foram ceifadas nas ruas, mas é extremamente difícil calcular quantas foram salvas por elas.

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