quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Quem anda de bicicleta não presta

Quem anda de bicicleta não presta, hoje nós sabemos disso. São pessoas não qualificadas”.
Este foi o depoimento dado por um senhor recentemente para o Estadão numa reportagem sobre ciclovias e que acabou virando um meme entre os ciclistas. Se prestar significa pensar esse tipo de barbaridade, então eu felizmente faço parte do ainda pequeno grupo daqueles que não prestam, com muito orgulho.

Em outra situação, o comerciante tem todos seus argumentos contra a implementação de ciclovias respondidos pelo secretário de transporte. Não satisfeito, no final ele sai com essa pérola: "Por que que vou andar de bicicleta agora com 64 anos? Bem para saúde é médico, hospital e remédio". Amigo, médico, hospital e remédio é doença, não saúde.


Quando a decisão é tomada no campo emocional, é muito difícil de ser mudada. Mesmo assim vamos lá:
  • A consulta pública sobre se o paulistano quer ou não ciclovias foi feita nas urnas, no plano de governo do prefeito eleito;
  • As bicicletas começam aparecer com a construção da estrutura cicloviária. A demanda reprimida é em média de 60%, segundo pesquisas realizadas pelo mundo, ou seja, mais da metade das pessoas entrevistadas respondeu que começaria a pedalar se houvesse mais segurança e ciclovias;
  • As ciclovias e fechamento de ruas para carros em Nova Iorque e Portland aumentaram em 50% o faturamento dos comerciantes, visto que é mais fácil ver os produtos das lojas e estacionar quando se está a pé ou de bicicleta;
  • As ciclovias aumentaram a velocidade das ruas e diminuíram os engarrafamentos, e isso aconteceu porque muita gente começou a pedalar e a quantidade de carros diminui;
  • A rua é pública e merece ser usada de forma pública. Quando se cria uma ciclovia numa área que antes funcionava como estacionamento, o que está sendo feito é mudar o uso privado, para guarda de um objeto privado (o carro), para uso público, com várias pessoas utilizando o espaço para locomoção. Criar ciclovias é fortalecer a democracia.
Não sou contra o carro, muito pelo contrário, mas uma cidade precisa oferecer segurança a todas as formas de locomoção e a possibilidade de utilizar diversos modais em um trajeto. Incentivar o uso da bicicleta é bom para todos.

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