quarta-feira, 6 de maio de 2015

Lei da Ervilha

Esta é uma criação minha, que matutei enquanto pedalava: a Lei da Ervilha.

Você sabia que é possível morrer engasgado com uma ervilha? É uma morte factível, alguns casos já foram registrados. E mesmo que os registros não sejam confiáveis, não é algo impossível de acontecer. Pouquíssimo provável, mas possível. Entretanto, não foi criada uma lei obrigando os fabricantes a colocarem um aviso nas latas alertando o perigo que é o consumo desse produto. Não existe uma campanha nacional para prevenir as mortes por engasgo de ervilha. E não é para ter mesmo.


O que quero dizer é que uma política pública precisa ser criada com base em dados que mostrem a real possibilidade de ocorrência do evento que ela pretende evitar. Os casos de engasgo com ervilha não são suficientemente comuns para isso, mas nunca duvide da capacidade dos nossos políticos.

Em São Paulo, certa vez uma mulher morreu depois de cair no fosso do elevador, já que a porta abriu sem o mesmo estar lá. A partir de então, foi criada uma Lei Municipal que obriga todos os prédios com este aparelho a ter uma placa dizendo: atenção: aviso aos usuários. Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.


Este é um exemplo real de uma Lei da Ervilha, uma lei que foi criada, debatida, aprovada e sancionada para prevenir eventos improváveis de acontecer. Fico imaginando nos Estados Unidos uma placa do tipo: atenção, aviso aos usuários: em caso de ataque terrorista, aviões poderão ser jogados contra este prédio.

Fui pensando nesta coisa porque vez por outra surge a discussão sobre a obrigatoriedade do uso de capacete pelos ciclistas. Não é obrigatório, mas muita gente acha que é ou deveria ser.

Se você for sair de casa com destino a um lugar que fica a dois quilômetros de distância, a forma mais segura de fazer o trajeto é pedalando. Estatisticamente falando, existem mais chances de você sofrer um dano na cabeça se for de moto, de carro, andando ou de ônibus. Ou seja, uma política pública que queira de fato proteger os cidadãos deve ser voltada, inicialmente, para pedestres ou ocupantes de veículos motorizados, mas obrigar todo mundo a sair de capacete na rua é um exagero sem tamanho.

Os dados são da Transporte Ativo, uma das principais organizações que promovem o uso da bicicleta no Brasil.

A discussão é muito maior que isso, mas só queria apresentar a teoria da Lei da Ervilha.

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