domingo, 14 de fevereiro de 2016

O penúltimo lugar da União da Ilha

Em 2014, a Vila Isabel entrou na Sapucaí com alegorias, adereços e fantasias inacabadas. Mesmo assim recebeu altas notas nestes quesitos, 10 inclusive (fonte). Desde então não acredito na apuração, assim como não acredito nos resultados esportivos. Mesmo assim, todo ano acabo parando num botequim para assistir, torcer e sofrer pela União da Ilha, agremiação na qual desfilo há alguns anos.

Esse carnaval foi especialmente sofrido. Em última colocação até o meio da apuração, a Ilha conseguiu sair da lanterna e coube à Estácio o rebaixamento. Apesar de ter sido um dos desfiles mais intensos, bonitos e concorridos dos últimos tempo, a agremiação insulana estava incrível e não merecia essa agonia toda.

A ordem dos desfiles influencia na nota dos jurados. É semelhante a um professor que está começando a corrigir uma pilha de provas, sendo mais rigoroso nas primeiras avaliações. Por isso o presidente da escola, Ney Filardi, foi duramente criticado ao trocar a posição da apresentação.

Por sorteio, a União encerraria o desfile de domingo, mas cambiou com a Tijuca e passou a ser a segunda a atravessar a Sapucaí. Historicamente, as primeiras a desfilar recebem as piores notas, e foi exatamente isso que aconteceu. Estácio e Ilha, as duas primeiras, ficaram respectivamente em último e penúltimo lugares.

A justificativa do presidente foi que não queria sacrificar os componentes, fazendo-os desfilar de madrugada (fonte). Na época entendi e defendi a posição do Ney, eu mesmo talvez não desfilasse, assim como muitos amigos não o fariam. Entretanto, nenhum cansaço decorrente de uma apresentação tarde da noite é mais sofrida do que ficar metade da apuração na zona de rebaixamento.

Mas Ney conhece seu povo. De fato haveria deserções dos componentes que poderiam afetar o desfile. A Ilha, apesar de possuir muitos amantes incontroláveis, está longe de ser a agremiação que já foi um dia. Está longe de ter membros aguerridos como a Beija-Flor. Está longe se ser amada pela comunidade insulana como Nilópolis e a Mangueira são amadas pelas pessoas que moram no entorno de suas quadras. E por quê?


Teço aqui algumas considerações dos motivos pelos quais acredito que a União está tão distante da comunidade:

1) Madrinha da Bateria que ninguém conhece, ninguém nunca viu. Perguntei para algumas pessoas como se faz para ocupar esse cargo e todas as respostas variavam entre "ela pagou" ou questões de natureza sexual/romântica/afetiva. De concreto nisso, os critérios de escolha não são claros;

2) A escolha do samba enredo também é obscura. Nem sempre o vencedor é o preferido pelo público que acompanha a competição. Mais uma vez, a politicagem é apontada como principal critério seletivo;

3) A direção da escola também toma decisões unilaterais, sem consultar a comunidade. Um exemplo foi a extinção da ala das crianças, que desapontou muita gente e enfraqueceu a criação de vínculo com os pequenos, comprometendo ainda mais o futuro da agremiação.

Em suma, a falta de participação popular no dia a dia da escola afasta a comunidade, tornando-a fraca e fazendo com que soframos toda quarta-feira de cinzas. A direção precisa ouvir mais aqueles que de fato constroem a União da Ilha, só assim estaremos preparados para lutar pelo título. Mas também há quem acredite é melhor assim, podem acabar descobrindo coisas demais.

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